BC: contas públicas registraram rombo de R$ 81 bilhões em julho

No mesmo mês do ano passado, o déficit primário foi quase 30 vezes menor, somando R$ 2,763 bi.

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
31 de agosto de 2020 às 11:38 | Atualizado 31 de agosto de 2020 às 12:42
Sede do Banco Central, em Brasília (16.mai.2017)
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

As contas do setor público consolidado registraram rombo de R$ 81,071 bilhões em julho. Esse foi o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2001.  

No mesmo mês do ano passado, o déficit primário foi quase 30 vezes menor, somando R$ 2,763 bi. Por outro lado, o valor é 57% melhor que o buraco fiscal de R$ 188,6 bi, registrado em junho.

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Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (31). O resultado do setor público consolidado inclui as contas do governo federal, dos governos regionais e das estatais federais. O déficit primário não inclui as despesas com juros e mostra que o valor arrecadado no mês passado não foi suficiente para cobrir as despesas. 

Apenas as contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram déficit de R$ 88,141 bilhões no mês passado. Por outro lado, os estados e municípios foram superavitários em R$ 6,281 bilhões. Já as empresas estatais registraram superávit de R$ 790 milhões. 

No mesmo mês de 2019, os governos regionais registraram déficit de R$ 1,919 bilhões. Na avaliação do chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o superávit nas contas dos estados e municípios em julho de 2020 é consequência das transferências da União para auxiliar no combate aos impactos da pandemia de Covid-19. Em julho, os entes federativos receberam R$ 18,3 bilhões de recursos transferidos diretamente pelo governo federal. 

“Tem uma mudança total nas condições econômicas. Os estados tiveram redução de arrecadação mas também as transferências regulares da União. Então, a explicação desse resultado são os auxílios financeiras da União para estados e municípios”, comentou.

Acumulado do ano 

Nos sete primeiros meses do ano, o rombo fiscal já alcançou R$ 483,773 bilhões. Além de ser o pior resultado da série histórica, o número é bem superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o déficit era de R$ 8,503 bi. 

O déficit nominal das contas públicas, que inclui os valores gastos com juros, alcançou R$ 86,909 bilhões em julho. No acumulado do ano, o valor sobe para R$ 663,224 bilhões, equivalente a 16,30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por incluir as despesas com juros, o resultado nominal sofre impacto direto das atuações do Banco Central na política monetária e cambial, como contratos de swap cambial e redução da taxa básica de juros, Selic, que está na mínima histórica de 2% ao ano. Os gastos públicos com juros somaram R$ 5,838 bilhões em julho, e já totalizam R$ 179,451 bilhões no ano. 

Com o aumento dos gastos públicos por conta do combate ao vírus e a possibilidade de prorrogação de alguns programas emergenciais, a equipe econômica espera que o déficit primário do setor público seja de R$ 812,8 bilhões este ano. Em 2019, as contas do setor público consolidado tiveram o sexto ano consecutivo de déficit primário, negativo em R$ 61,87 bilhões, equivalente a 0,85% do PIB. 

Dívida alcança 86,5% do PIB 

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de R$ 6,153 trilhões para R$ 6,210 tri, renovando o recorde. Com esse valor, a DBGG já representa 86,5% do PIB. O indicador serve como referência para as agências de classificação de risco, que define a atratividade de investimentos dos países. 

Em 2019, a DBGG encerrou em R$ 5,50 trilhões. Com o aumento dos gastos públicos, que consequentemente vão elevar o endividamento público, a equipe econômica estima que a DBGG/PIB pode alcançar os 96,9% em 2020, dependendo do desempenho da atividade econômica.

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