O lado investidor de Ashton Kutcher: 'Olho startups que resolvem problemas'


Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
07 de setembro de 2020 às 07:00
ashton kutcher

Kutcher é um dos fundadores da A-Grade Investments, fundo do Vale do Silício que investe em startups

Foto: Reprodução/Facebook

Apostar em empresas que solucionem problemas pelos quais as pessoas estão gritando, que ouçam os clientes, que promovam negócios com propósito e que tenham fundadores entusiasmados e gentis. 

São essas algumas das características que o ator norte-americano Ashton Kutcher busca e recomenda buscar em empresas nascentes que podem ser potenciais investimentos. 

Muito mais conhecido por seu trabalho no cinema em filmes como “Efeito Borboleta” (2004) e “Jobs” (2015), em que interpretou o fundador da Apple Steve Jobs, Kutcher é também um ativo e bem sucedido investidor do Vale do Silício.

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Uber, Airbnb, Skype, Spotify e Pinterest são algumas das companhias em que Kutcher e seus sócios já colocaram dinheiro, e muito antes de qualquer delas se tornar as gigantes que são hoje. 

O aporte de US$ 500 mil na Uber, por exemplo, foi feito em 2011, dois anos depois da criação do aplicativo e três antes dele chegar ao Brasil. Em cinco, o investimento na ex-startup já tinha se multiplicado por 100. 

Kutcher é um dos sócios da A-Grade Investments, uma gestora de fundos de venture capital, que compram participação em companhias de tecnologia nascentes ou em estágio de crescimento. A companhia foi fundada em 2010 e é sediada em los Angeles, na Califórnia. 

“Eu definitivamente sou um ‘early adopter’, gosto de conhecer e testar coisas novas”, diz ele. “Mas eu não diria que estava à frente de meu tempo. São empresas que estão no tempo certo. Elas não teriam como ser criadas antes do tempo delas, porque talvez não houvesse ainda tecnologia para construir seu produto, mas, se fossem feitas depois, provavelmente não funcionariam, porque a oportunidade teria passado.”

Kutcher falou sobre seus investimentos e os tipos de negócios que merecem a atenção de seu fundo em live promovida na noite deste domingo (6) pela corretora brasileira Clear.

“Tudo o que tento fazer é resolver os meus problemas e os problemas das pessoas”, disse. “Não saio por aí procurando tendências. As tendências estão por aí, eu apenas presto atenção. Elas geralmente já existem e estão gritando para você por meio de pessoas insatisfeitas e irritadas com alguma coisa. O que essas pessoas estão dizendo é: há uma tendência aqui, e alguém precisa construir uma solução para resolver esse problema. A tendência é algo que sempre esteve na cara de todo o mundo.”

Seus investimentos, explicou o ator, sempre foram feitos por meio de compra direta de participação em startups e empresas fechadas, ao estilo dos investimentos de venture capital e investimentos anjo, e não em ações. “Eu não invisto na bolsa de valores, não entendo nada desse mercado”, afirmou.

Soluções, entusiasmo e gentileza

Kutcher explica que não tem exatamente critérios e filtros pré-estabelecidos na busca por startups em que investir, o que poderia ser um limitador dos investimentos. O ponto, diz, está em saber reconhecer um negócio promissor quando o encontra. 

“Antes de qualquer coisa deve ser uma ideia ousada, algo que, quando você entende do que se trata, você grita: como isso ainda não existia?”, disse.

Outro fator citado por ele é o que define como defensibilidade da ideia ou do produto novo em que apostar – “algo que torne aquilo difícil para outras pessoas copiarem ou destruírem”. 

O perfil dos criadores desses negócios, bem como das pessoas que eles levam para dentro da empresa para trabalhar com eles, também é parte importante da receita. 

“São fundadores que têm obsessão pelo que estão criando, que querem construir algo com um propósito”, disse. “São aquelas pessoas que, quando você conhece, você tem vontade de largar tudo o que faz e ir trabalhar com elas. Elas são contagiantes, gentis e humildes.”

Influência de Steve Jobs

Boa parte dessa maneira como Kutcher enxerga os empreendedores e startups com que lida hoje, conta o ator, vem da experiência de ter vivido Steve Jobs na tela e pesquisado profundamente sobre o criador da Apple, morto em 2011. 

“Ele era extremamente focado e obcecado pelo que fazia. Tinha uma enorme compaixão por seus consumidores e queria fazer um produto extraordinário”, disse. “isso me ensinou a procurar a mesma obsessão que ele tinha com que estão construindo”.