Operação da PF em São Paulo mira fraudes em programas sociais


Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo
08 de setembro de 2020 às 09:53 | Atualizado 08 de setembro de 2020 às 12:04

A Polícia Federal realiza, na manhã desta terça-feira (8), a Operação Parasitas que busca apurar e combater fraudes nos saques do auxílio emergencial em São Paulo.

São cumpridos dois mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão contra acusados de participarem de uma associação criminosa que se apropriou de, pelo menos, 45 auxílios emergenciais concedidos pelo governo federal durante a pandemia da Covid-19.

Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

De acordo com a PF, os suspeitos são investigados há cerca de quatro anos, por promoverem outros tipos de fraudes em programas sociais, como o seguro desemprego e o Bolsa Família.

No caso do auxílio emergencial, os criminosos atraiam agentes públicos com acesso ao CadÚnico, sistema nacional de cadastramento com informações de brasileiros que vivem em situação de pobreza e extrema pobreza. O objetivo seria obter os dados de mães e endereços dos beneficiários.

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Foto: Divulgação/ Polícia Federal

Com esses dados, eles entravam em contato com a Caixa Econômica Federal (CEF) e solicitavam o encaminhamento e cartões cidadão para endereços fictícios.

"Com a ajuda de um carteiro dos Correios, esses cartões chegavam à posse dos membros da associação criminosa. Em sequência, na posse dos cartões desviados, os membros da associação telefonavam para a Unidade de Resposta Audível (URA) da CEF e realizavam o pré-cadastramento de suas senhas", explicou a PF, em nota.

O grupo realizava saques em diversas agências bancárias da Caixa, principalmente na Zona Sul de São Paulo, e sempre no mesmo horário e dia em que os benefícios são liberados – que dependem do último algarismo do Número de Identificação Social (NIS) – "a fim de evitar que os reais beneficiários identificassem as fraudes a tempo e os benefícios fossem bloqueados".

Ainda de acordo com a PF, os investigados poderão responder por furto qualificado e associação criminosa, podendo ser condenados a penas de até 11 anos.