Queridinha da Nasdaq, NVIDIA cresceu três dígitos no ano e foca em data centers


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
09 de setembro de 2020 às 07:44 | Atualizado 09 de setembro de 2020 às 11:23

As ações de tecnologia listadas na Nasdaq foram catapultadas durante a crise do novo coronavírus. Com o trânsito de pessoas e mercadorias reduzido por conta do isolamento social, investidores passaram a dar ainda mais valor para o setor que deve seguir ocupando espaços importantes no nosso dia a dia.

Naturalmente, o FAAMG, grupo de empresas pop formado por Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google, liderou as exposições midiáticas sobre o assunto. Mas outra gigante do ramo, com muito menos estardalhaço, vai se destacando no mercado. A NVIDIA, empresa de tecnologia incorporada, já cresceu 140% no ano.

É verdade que, após forte valorização, as ações de tecnologia sofreram duras quedas nos primeiros pregões de setembro, num movimento de correção. Mesmo assim, a empresa segue crescendo a três dígitos. 

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Em entrevista ao CNN Brasil Business, Marcio Aguiar, diretor da NVIDIA Enterprise para a América Latina, afirma que os resultados durante a pandemia surpreenderam, mas acredita que “as pessoas começaram a entender que já existem recursos tecnológicos para se tornarem mais competitivos” mesmo em casa.

Sem sentir a crise, a NVIDIA acumulou receita de US$ 3,87 bilhões no segundo trimestre, 50% a mais do que o mesmo período do ano anterior e 26% superior ao primeiro trimestre de 2020. O setor de data centers, que cresceu 167% e liderou os ganhos da empresa, fechou ainda a aquisição da Mellanox Technologies por US$ 7 bilhões.

“O mercado de data centers é o mais promissor. Oito dos dez supercomputadores mais potentes do mundo têm tecnologia NVIDIA”, afirma. “O nosso foco é que o desenvolvedor não precise se preocupar com as máquinas que está utilizando. A aquisição da Mellanox ajuda nisso, e este setor vai crescer cada vez mais.”

Para o setor, a empresa oferece soluções de hardware e software, que vão desde GPUs (processadores) até servidores que aumentam o desempenho de jogos e programas através da nuvem. 

Aguiar explica que, mesmo sem saber, todos utilizam e se beneficiam dessa estrutura. “Dispositivos móveis, sejam eles no seu pulso, bolso, carro, estão conectados a um supercomputador. Essas máquinas se conversam e nossas solicitações são atendidas cada vez mais rapidamente, praticamente em tempo real”, diz. 

Nessa linha, a empresa está aproveitando os avanços conquistados para ampliar sua atuação em outras áreas. Setores de telecomunicações, energia, cidades inteligentes, automotivo e robótica têm recebido investimentos. O executivo destaca, no entanto, os avanços obtidos no setor de saúde.

“Nossa plataforma de saúde, o NVIDIA Clara, tem ganhado mais visibilidade por conta do novo coronavírus”, diz. “Hospitais, clínicas, laboratórios estão olhando com mais carinho para essas plataformas que podem ajudar com reconhecimento e análise de imagens, estudo de novos genomas.”

Vanguarda

Originalmente conhecida pelo desenvolvimento de ferramentas gráficas para jogos, a NVIDIA garante que segue dando atenção para o seu “negócio principal”. A área também avançou no segundo semestre, 24% em relação ao trimestre anterior, e gerou receitas de US$ 1,6 bilhão.

Pensando em aumentar a acessibilidade, a companhia está trabalhando para oferecer cada vez mais jogos na nuvem. O serviço ainda não está disponível no Brasil. “A ideia é permitir que milhares de consumidores possam jogar sem ter um computador dedicado exclusivamente para isso”, diz.

O segmento também serve de base para testes de técnicas que são aplicadas futuramente em outros setores. “Muita gente não tem ideia disso, mas ali testamos conceitos de iluminação, física, sombras, simulação de ondas”, explica.

Nova aquisição?

Disputando a liderança do mercado com a Intel, a NVIDIA parece estar à procura de outras aquisições para fortalecer seus serviços. O jornal Financial Times apurou que a empresa estaria negociando a compra da Arm Technologies, maior empresa britânica do setor, por US$ 32 bilhões.

Aguiar confirma que a transação está sendo avaliada pela empresa, mas não comenta os detalhes da operação. Dada a expertise da empresa inglesa, levantou-se a possibilidade da movimentação poder significar uma possível entrada da gigante americana no mercado de smartphones, o que o gestor rejeita.

“Nós havíamos entrado neste mercado em 2012, mas vimos que não era alinhado para nós. Além disso, há muitas empresas no setor”, diz. 

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