Alibaba, Baidu: saiba como investir em fundos e ações de empresas da China


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
10 de setembro de 2020 às 07:00
bolsa shenzhen

Bolsa de valores de Shenzen: economia chinesa já avançou 11,5% no segundo trimestre

Foto: Bobby Yip/Chinext/Reuters

Primeiro epicentro da pandemia do novo coronavírus, a China foi também o país que mais rapidamente superou a crise financeira provocada pelo fechamento das economias. No segundo trimestre de 2020, o PIB do país já avançou 11,5% em relação aos primeiros três meses do ano, com o governo estimulando o consumo das famílias e dando liquidez ao mercado.

Paralelamente a isso, a potência asiática vive problemas diplomáticos com os Estados Unidos. É verdade que os países trabalham para consolidar um acordo comercial, mas, ao mesmo tempo, o presidente americano Donald Trump dá sinais de que pode complicar cada vez mais a vida de empresas chinesas em solo yankee.

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Talvez o caso mais emblemático disso seja o do app de edição e compartilhamento de vídeos TikTok, febre entre jovens do mundo todo. Trump ameaça desde julho encerrar as atividades da companhia em solo americano, sob o pretexto de que a rede não protege (ou até vaza) os dados dos seus usuários.

Com esse ambiente economicamente atraente mas politicamente instável, é natural que o investidor queira ter exposição ao mercado asiático, mas tenha dúvidas sobre qual a melhor maneira de fazê-lo. “A China é um mercado extremamente promissor, principalmente no que diz respeito ao setor de tecnologia”, diz William Alves, estrategista-chefe da Avenue. 

“É uma economia que ainda está se digitalizando e é pelo menos dez vezes maior que o Brasil. Só é preciso ficar atento com a regulamentação do país, que ainda impõe dificuldades.” Pensando nisso, o CNN Brasil Business listou algumas maneiras para investir nas bolsas chinesas. Confira abaixo:

Investir diretamente na China

Talvez o caminho mais difícil atualmente, por conta de regulamentação do país. Mas há um esforço visível do país para tentar democratizar os acessos. Um exemplo foi a criação do índice Chinext, de startups. O referencial é visto como uma “semente para tentar ultrapassar o mercado americano”, diz Alves. 

Para o investidor varejo, o caminho mais intuitivo é através de corretoras internacionais. A Interactive Brokers, por exemplo, permite que cliente realize operações de câmbio e financeiras em diversos mercados. No caso do chinês, isso é feito através da Bolsa de Hong Kong, mercado em que boa parte das empresas da China estão listadas. 

Já para os investidores institucionais, Pequim publicou, no início de setembro, um esboço de regras com o objetivo de facilitar essa entrada. 

Os procedimentos de inscrição para investidores em títulos estrangeiros serão simplificados e as regras para vários canais de investimento unificadas, disseram em um comunicado conjunto o Banco Central da China, o regulador cambial e o órgão fiscalizador de valores mobiliários do país.

As mudanças antecipam uma decisão da provedora britânica FTSE Russell, que deve sair no dia 24 de setembro, sobre a inclusão de títulos do governo chinês em seu índice de títulos de referência. 

Estas regras têm como objetivo "tornar mais fácil para os investidores institucionais estrangeiros alocar ativos em títulos denominados em iuanes", disse o Banco do Povo da China em seu site.

Através da bolsa brasileira

Seis empresas chinesas estão listadas na B3 através de BDRs, aqueles papéis que funcionam como certificados que representam ações de empresas listadas em bolsas de outros países. 

São elas: Alibaba (plataforma de e-commerce), Baidu (motor de busca), JD.com (plataforma de e-commerce), Netease (desenvolvedora de jogos), PetroChina (petrolífera) e Trip.com (agência de viagens online). 

Apesar da disponibilidade mais evidente para os investidores locais, dados da Economática mostram que ainda é pequeno o volume de papéis da classe negociados por aqui, o que pode diminuir a liquidez dos ativos e, consequentemente, depreciar seu valor. 

BABA34, nome do papel ligado à Alibaba, já cresceu mais de 65% no ano. Já PTCH34, da PetroChina, recuou 10% desde o início de 2020.

Através do mercado americano

A versão americana das BDRs, as ADRs, são outra opção de investimento em ativos chineses. Mais de 100 empresas chinesas estão listadas no maior mercado do mundo através da modalidade. 

“São empresas com algumas das melhores performances do ano. Cresceram 100%, 200% e até 300% em 2020”, diz Alves. Entre os exemplos deste movimento aparecem a NIO, montadora de veículos elétricos, e a Pinduoduo, plataforma de e-commerce que permite aos usuários participar de transações de compra em grupo.

É preciso ter atenção, no entanto, ao movimento geopolítico protagonizado por China e Estados Unidos. Agentes do mercado já estimam que menos empresas chinesas devem ingressar em Wall Street se as pressões de Trump continuarem ganhando tração.

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"Tenho salientado para os clientes que, apesar de haver muitas empresas chinesas interessantes, com bons retornos e mercado gigantesco, é preciso ficar esperto", explica Alves. "Estamos em ano eleitoral e bater na China virou hobby, é um consenso entre os dois partidos."

Para diluir este risco, os ETFs podem surgir como uma boa solução, aponta o gestor. No caso da Avenue, o KWEB, fundo de índice que acompanha empresas de tecnologia da China, é a bola da vez. O papel se valorizou quase 40% em 2020. “Com isso você se expõe a uma cesta de mais de 50 ativos sem correr tantos riscos”, explica.

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*Com informações da Reuters