Com a Laureate, Ser vai brigar de igual para igual com Cogna e Yduqs, diz CEO


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de setembro de 2020 às 00:36 | Atualizado 14 de setembro de 2020 às 00:48
Universidade Anhembi Morumbi

Universidade Anhembi Morumbi: instituição é um dos principais ativos da Laureate

Foto: Laureate/Divulgação

A noite do domingo (13), uma das mais quentes do ano em pleno inverno, terminou com uma notícia que deve movimentar os mercados e o setor de educação no país. O Grupo Ser Educacional (SEER3) anunciou a compra da operação brasileira da Laureate, dona de 11 instituições de ensino, como Anhembi Morumbi e FMU, em um negócio que deve chegar a R$ 4 bilhões.

O negócio contemplará 100% operação da Laureate e a Ser pagará R$ 1,7 bilhão em dinheiro, além de assumir uma dívida líquida de R$ 623 milhões. Para completar, a Laureate receberá ações da nova companhia no valor de cerca de R$ 2 bilhões.

A aquisição também servirá para colocar a Ser Educacional em outro patamar. É o que admite o presidente da empresa, Jânyo Diniz, em entrevista ao CNN Business. “Isso vai trazer uma escala para a Ser Educacional brigar em pé de igualdade com as maiores empresas do setor”, afirma Diniz.

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De fato, a Ser começa a entrar em um jogo mais disputado com companhias como Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3). Caso o negócio seja aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Ser será o quarto maior grupo de ensino superior do Brasil, com 450 mil alunos (presencial e ensino a distância), mais de 100 campi e cerca de 500 polos de ensino a distância em todos os estados brasileiros.

A Cogna (antiga Kroton) tem cerca de 1 milhão de alunos no ensino superior e a Yduqs tem quase 700 mil estudantes.

Janyo Diniz Ser Educacional

Jânyo Diniz, CEO da Ser Educacional: "As pessoas continuam pensando em se qualificar" 

Foto: Divulgação/Ser Educacional

A negociação, segundo Diniz, já ocorre há algum tempo. A americana Laureate já está se desfazendo de diversos ativos. Na última sexta-feira (11) vendeu a Walden University para a Adtalem, também dos Estados Unidos, por US$ 1,8 bilhão. Recentemente, também havia vendido sua operação no Chile.

Mas a relação entre as duas empresas começou ainda em 2019, quando a Ser comprou a UniNorte da Laureate por quase R$ 200 milhões. De lá para cá, conversas sempre ocorriam e com esse processo de desinvestimento da Laureate, a fome juntou com a vontade de comer. A compra foi assessorada pelos bancos americanos Bank of America Merril Lynch, do lado da Ser, e Goldman Sachs, por parte da Laureate.

Sinergias

Segundo Diniz, o processo de integração deve ser facilitado, já que a Ser, com a compra da UniNorte, sabe como a Laureate opera. As sinergias da compra, no entanto, ainda não foram divulgadas para o mercado.

Um fator positivo para a Ser Educacional será uma presença maior no Sudeste, maior mercado do país. Antes da compra, o Grupo Ser Educacional era mais forte nas regiões Norte e NordesteAgora, com ativos mais fortes no Sudeste, a empresa será um incômodo maior para a Cogna, a Yduqs e a Universidade Paulista (Unip).

A companhia também ampliará sua participação nas escolas de medicina, que possuem mensalidades mais elevadas e, consequentemente, aumentam a rentabilidade para a companhia. Para se ter uma ideia, a mensalidade média de uma universidade convencional é de R$ 800 – a dos cursos de medicina chegam a alcançar dez vez mais do que isso.

“Vamos ser uma das maiores empresas do setor em cursos de medicina”, diz Rodrigo Alves, diretor de relações com os investidores da Ser Educacional.

Setor sofre

Porém, todas estão sofrendo nesse momento. Pelo menos, no mercado de capitais. As ações das empresas de educação são algumas das que mais sofreram neste ano na bolsa. De janeiro para cá, as ações da Ser caíram 46%, enquanto a da Cogna e da Yduqs tiveram quedas de 50% e 41%, respectivamente.

Não é para menos, com o avanço da pandemia, as aulas presenciais foram suspensas – até agora, na Ser, apenas algumas aulas práticas (em três estados) voltaram ao normal.

O lado positivo para as empresas, contudo, foi que o ensino a distância, que é uma área em que todas as empresas têm investido (e muito), deve ter uma aceleração de adoção pelos anos. Porém, ao mesmo tempo, com o aumento do desemprego e a diminuição da renda dos brasileiros, o setor deve sofrer com o crescimento da inadimplência.

Isso não preocupa Diniz. Segundo ele, as pessoas continuarão precisando se especializar e a graduação e cursos a distância serão uma saída mais viável e barata. “As pessoas continuam pensando em se qualificar”, diz ele. É isso o que todos os acionistas da Ser esperam – ainda mais após o investimento de R$ 4 bilhões. 

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