EUA querem Brasil em 'rede limpa' de 5G, sem Huawei, diz embaixador americano


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 21:14

O diplomada Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, afirmou nesta terça-feira (15) que os americanos querem que "o Brasil realmente tenha a oportunidade de ser parte da rede limpa" com o fornecimento do 5G "de fornecedores que sejam realmente de confiança".

Chapman foi questionado, durante entrevista exclusiva à CNN, sobre o que os EUA poderiam dar ao Brasil em troca de que o país não feche com a chinesa Huawei para a instalação da tecnologia 5G. 

"Oferecemos um tipo de financiamento, para ajudar os operadores que querem comprar de fornecedores confiáveis. Nós queremos ser bons aliados do Brasil nesse processo", disse o embaixador, entrevistado pelos âncoras Caio Junqueira e Monalisa Perrone e pelo colunista Lourival Sant'Anna.

Apesar da posição dos Estados Unidos e das informações que o país está prestando ao Brasil sobre "como a Huawei está funcionando no mundo", Todd Chapman observou que respeita que a decisão final caberá ao governo brasileiro.

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Em maio, Chapman deu outra entrevista sobre o tema à CNN. Na oportunidade, o embaixador relacionou o fornecimento do 5G com um risco para a privacidade das informações, diante do regime comunista chinês.

"Nos Estados Unidos, consideramos que a maneira correta de usar essa tecnologia é a proteção da privacidade, proteção dos dados e da informação e que essa informação não seja entregue diretamente ao Partido Comunista da China", disse Chapman, na entrevista anterior.

Valores e vacinas

Durante a entrevista, o embaixador Todd Chapman foi questionado sobre a sua visão de mundo a respeito da geopolítica mundial, principalmente a polarização entre Estados Unidos e China. O diplomata defendeu o alinhamento de países que compartilham de valores semelhantes.

"Eu confio nos sistemas democráticos e não nos sistemas autocráticos", disse o embaixador. "Talvez seja um pouco desorganizado às vezes, mas muito melhor isso do que ter dissidentes que são colocados na prisão", criticou.

O embaixador foi questionado sobre se aceitaria ser vacinado com a Coronavac, vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac Biotech.

Chapman riu e disse que seguiria a orientação do seu médico, mas afirmou confiar na experiência de outras empresas, como a AstraZeneca e farmacêuticas americanas, para o desenvolvimento da imunização.

"Todos nós agora estamos focados em uma solução, que vai funcionar para o mundo. E por isso é bom que haja vários candidatos a vacinas no mundo. No final do dia, vai ser uma decisão de pessoas, de governos e de famílias, em qual vacina você vacina", disse.

Nesta semana, o secretário de Estado Mike Pompeo fará a sua segunda visita ao Brasil. Ele irá à Boa Vista (RR), onde se encontrará com Chapman e autoridades brasileiras para discutir o projeto Acolhida, que atende refugiados da Venezuela.

O embaixador americano no Brasil classificou o regime de Nicolás Maduro como "ilegítimo" e disse que a visita reflete as boas relações entre os dois países e a preocupação de ambos com a situação humanitária dos venezuelanos.