Grupo de Maia comemora ‘invertida’ de Bolsonaro em Guedes


Igor Gadelha
Por Igor Gadelha, CNN  
15 de setembro de 2020 às 13:55 | Atualizado 15 de setembro de 2020 às 14:07

O grupo político do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comemorou nos bastidores o que considerou como uma “invertida” do presidente Jair Bolsonaro no ministro da Economia, Paulo Guedes, ao anunciar nesta terça-feira (15) que desistiu do Renda Brasil.

Segundo relatos feitos à CNN por parlamentares próximos a Maia, em conversas reservadas, o presidente da Câmara e seus aliados avaliaram não só que Bolsonaro deu uma invertida em Guedes como disseram que a equipe econômica “não entende nada de pobreza”.

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Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, em evento em Brasília

Foto: Adriano Machado/Reuters (17.jun.2020)

Em vídeo publicado nas redes sociais mais cedo, Bolsonaro disse que o governo não pretende congelar aposentadorias para bancar o Renda Brasil. Afirmou também que dará “cartão vermelho” para quem propor medidas para tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos.

A declaração foi um recado direto para o secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Em entrevistas nos últimos dias, foi Waldery quem defendeu, em nome do governo, o congelamento de aposentadorias por dois anos para bancar o programa.

Maia e Guedes estão rompidos politicamente desde o início de setembro. O estopim foi o veto imposto pelo ministro da Economia para que seus auxiliares almoçassem com o presidente da Câmara. Procurado, Maia não se pronunciou oficialmente.

Em videoconferência há pouco com integrantes do setor de telecomunicações, o chefe da equipe econômica afirmou que o “cartão vermelho” mencionado pelo presidente da República “não foi para mim”, “esclarecendo para todo mundo”.

Nos bastidores, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem atribuído a desistência do Renda Brasil ao que classificou como "guerra da comunicação". A interlocutores, Guedes disse que essa guerra é "muito destrutiva" e tem "pouco bom senso".