Equipe econômica amplia projeção de déficit primário em 2020 para R$ 861 bi

Revisão foi feita após extensão do auxílio emergencial; projeção anterior era de rombo de R$ 787 bilhões nas contas do governo

Isabel Versiani, da Reuters
22 de setembro de 2020 às 20:30 | Atualizado 22 de setembro de 2020 às 21:00

Extensão do auxílio emergencial levou a revisão de rombo esperado nas contas neste ano

Foto: Pilar Olivares - 29.abr.2020/Reuters

O Ministério da Economia elevou em R$ 63,6 bilhões a estimativa de déficit primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) no ano, para o valor recorde de R$ 861 bilhões, ao incorporar o impacto da prorrogação do auxílio emergencial para enfrentar a pandemia do coronavírus.

Os novos números constam do relatório de receitas e despesas do quarto bimestre, divulgado nesta terça-feira. O cálculo considera uma projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,7% em 2020.

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No relatório do terceiro bimestre, a projeção era de déficit de R$ 787,45 bilhões. Com o estado de calamidade pública aprovado pelo Congresso, o governo está desobrigado de cumprir em 2020 a meta de déficit primário, de R$ 124,1 bilhões.

No novo relatório, o governo elevou as despesas primárias calculadas para o ano em R$ 63,598 bilhões, a R$ 2,046 trilhões, refletindo principalmente a extensão em quatro meses do auxílio emergencial, que será pago agora até dezembro com valor reduzido, de R$ 300.

O custo dos pagamentos adicionais do auxílio será de R$ 67,6 bilhões. Por outro lado, o governo reduziu pela metade, para R$ 17 bilhões, a projeção de despesas com o programa de financiamento à folha de pagamento das empresas (Pese).

Para a receita líquida a conta foi reduzida em R$ 9,955 bilhões, a R$ 1,185 trilhão. A redução é explicada por revisão de algumas projeções macroeconômicas para o ano, arrecadação verificada em julho e agosto e alterações na legislação tributária para o combate ao Covid-19.

A Cofins foi o tributo que sofreu a maior redução na projeção de arrecadação --de R$ 10,6 bilhões, para R$ 224,7 bilhões--, o que é explicado, segundo o governo, pelo crescimento das compensações tributárias.

Na semana passada, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia atualizou as projeções macroeconômicas para 2020. A estimativa para retração do PIB não foi alterada, mas a projeção para a inflação foi levada para 1,83%, ante estimativa anterior de 1,60%.

Diferente do que usualmente acontece, o relatório de receitas e despesas deste bimestre não foi detalhado à imprensa pelo secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues.

Waldery foi repreendido indiretamente na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro, após divulgar que a equipe econômica estudava propor o congelamento dos benefícios previdenciários para financiar a ampliação do programa Bolsa Família.

Bolsonaro descartou a ideia e disse que daria um "cartão vermelho" a quem lhe propusesse tirar dinheiro dos pobres para dar aos "paupérrimos".

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