Dólar engata 3ª alta seguida e vai a R$ 5,46; Ibovespa segue o exterior e sobe

Investidores externos fugiam dos ativos de risco neste início de semana

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
22 de setembro de 2020 às 09:12 | Atualizado 22 de setembro de 2020 às 17:50
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Adriano Machado/Reuters

O Ibovespa teve alta nesta terça-feira depois de trocar de sinal algumas vezes. A melhora no cenário do exterior com a repercussão da fala do chair do Federal Reserve (Fed) deu o impulso que a bolsa brasileira precisava para fechar o dia no azul. 

Depois de uma sessão instável, o Ibovespa terminou o dia com alta de 0,27%, para 97.257,22 pontos.  

Os mercados repercutiram falas de Jerome Powell, chair do Federal Reverve (Fed), do presidente Jair Bolsonaro na assembleia na ONU e a divulgação de uma ata sem grandes supresas pelo Banco Central (BC).

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Depois que Powell falou, em uma audiência no Congresso americano, que a economia dos EUA enfrenta um caminho "altamente incerto" apesar de ganhos "acentuados", o dólar ganhou força ante o real e as bolsas nos Estados Unidos começaram a subir.

O dólar emendou a terceira alta consecutiva nesta terça-feira, quando mais uma vez flertou com a resistência de R$ 5,50, com o mercado abalado por alertas sobre riscos à economia dos Estados Unidos em meio a persistentes efeitos da pandemia.

No mercado à vista, o dólar avançou 1,26%, a R$ 5,4682 na venda, nova máxima desde 31 de agosto (R$ 5,4807).

A ausência de notícias melhores no plano doméstico abriu caminho para o dólar seguir o exterior e fechar em alta de mais de 1%.

"Percebemos o impacto das várias falas do banco central norte-americano, sinalizando que os juros podem subir antes da inflação chegar a 2% e insistindo na necessidade de medidas fiscais", explicou Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Destaques

O IRB (IRBR3) valorizou-se 6,28%, após renovar mínimas históricas nas últimos pregões, ainda afetado por ajustes de posições por investidores após uma série de adversidades envolvendo a resseguradora desde o começo do ano.

A MRV (MRVE3) avançou 3,73% e Cyrela (CYRE3) subiu 3,16%, em sessão positiva para construtoras e incorporadoras, com o índice do setor imobiliário fechando em alta de 0,89%.

A CSN (CSNA3) subiu 3,39%, com a trégua no cenário externo abrindo espaço para a alta, após a companhia anunciar IPO de sua unidade de mineração e divulgar projeções melhores sobre dívida e Ebitda neste ano.

A B2W (BTOW3) caiu 3,80%, após forte valorização na véspera, enquanto as rivais Via Varejo (VVAR3) e Magazine Luiza (MGLU3) avançaram 0,74% e 0,89%, respectivamente.

A Suzano (SUZB3) recuou 2,39%, tendo de pano de fundo expectativas relacionadas à oferta de ações da fabricante de papel e celulose em poder da BNDESPar, anunciada na última sexta-feira. A Klabin (KLBN11) cedeu 1,82%.

O Itaú (ITUB4) valorizou-se 0,87%, com todos os papéis de bancos no índice fechando no azul. Bradesco (BBDC4) avançou 0,61%.

A Vale (VALE3) teve acréscimo de 0,12%, mesmo em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China.

A Petrobras (PETR4) caiu 0,48%, enquanto as ações ordinárias da empresa (PETR3) terminou com variação negativa de 0,05%, em sessão de alta das cotações do petróleo no exterior, bem como anúncio de aumento do preço da gasolina pela companhia.

Bolsas internacionais

Depois do tombo da véspera, os índices de Wall Street tiveram alta nesta terça. O Dow Jones teve variação positiva de 0,51%, enquanto o S&P 500 teve alta de 1% e o Nasdaq 100 ganhou 1,95%.

Um salto nos setores de petróleo e tabaco ajudou as ações europeias a fecharem em alta nesta terça-feira, com os principais índices se recuperando parcialmente de uma liquidação desencadeada por temores de novos lockdowns à medida que os casos de Covid-19 aumentam em todo o continente.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,24%, a 1.388 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,2%, a 358 pontos, após registrar queda de 3,2% na segunda-feira.

Já na China, os mercados fecharam o dia em queda. O CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,19% enquanto o índice de Xangai recuou 1,29%.

(Com Reuters)