IPCA-15 dispara para 0,45% em setembro, puxado por alimentos como carne e arroz

Esse foi o maior resultado para o mês desde 2012, quando a prévia da inflação acelerou 0,48%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 1,35%

Paula Bezerra, do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 09:29 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 16:57

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), disparou 0,45% em setembro, segundo informações divulgadas pelo Instituto Brasuleiro de Geografia e Estatística (IBGE), na manhã desta quarta-feira (23). 

Considerado a prévia da inflação oficial do país, o indicador subiu 0,22 ponto percentual da taxa de agosto – além de registrar o maior resultado para o mês de setembro desde 2012, quando o IPCA-15 foi de 0,48%. No ano, a prévia da inflação acumula alta de 1,35% e, em 12 meses, 2,65% – acima dos 2,28% registrados nos 12 meses anteriores. 

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Entre os principais destaques para a alta, está o grupo de alimentação e bebida, que passou de 0,61% em agosto para 1,96% em setembro. A maior contribuição para a alta no grupo, segundo o IBGE, veio das carnes, que sofreram alta de 3,42%.

Itens como óleo de soja, arroz e leite longa vida também impactaram bastante a alta do grupo, subindo 20,33%, 9,96% e 5,59%, respectivamente. No ano, o acúmulo de alta dos subitens é de 34,94%, 28,05% e 27,33%. Em Goiânia, por exemplo, o arroz teve alta de 32,75%.  

Segundo análise dos economistas da Guide, a tendência é a de que o patamar alto no valor dos alimentos seja transitório. "Voltamos a frisar a recente alta no preço dos alimentos – fomentada pela alta na demanda doméstica (em parte devido ao auxílio emergencial), câmbio desvalorizado, redução da oferta doméstica e patamar elevado do preço internacional das commodities – deverá ser transitória", diz o relatório.

Alta em transportes e queda em saúde

Após a alta de alimentos e bebidas, o setor que mais apresentou variação foi o de transportes, com alta de 0,83% em setembro, puxado, principalmente, pela gasolina. Segundo o IBGE, o combustível apresentou alta de 3,19% – a terceira consecutiva. O óleo diesel e o etanol também registraram acréscimo de 2,93% e 1,98%, respectivamente.

Além dos transportes, o IBGE também destacou o grupo de saúde e cuidados pessoais. Diferente de transportes, o setor apresentou queda de 0,69%, impactado pelos preços dos planos de saúde, que caíram 2,31% após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspenderem o reajuste dos contratos de planos de saúde até o final do ano. 

Na prática, esse reajuste ocorre em meados de julho e é retroativo a maio. Diante da suspensão, todo o fator apropriado antecipadamente nos meses de maio, junho, julho e agosto foram descontados no IPCA-15 de setembro. 

Já o grupo de vestuário apresentou a menor queda desde julho, quando o recuo foi de quase 1%. Em setembro, o setor teve um recuo de 0,27%. Em relação ao grupo de habitação, o destaque ficou com a taxa de água e esgoto, que subiu 1% pelo reajuste nas tarifas em São Paulo. 

Ainda, segundo o IBGE, todas as regiões tiveram variação positiva em setembro. De acordo com a instituição, o maior resultado foi registrado em Goiânia, com alta de 1,10%, puxado pelos preços da gasolina, que subiu 8,19%, e, principalmente, pelo do arroz, que teve um acréscimo de 32,75. 

Já a menor variação foi em Salvador, onde a queda nos preços da gasolina foi de 2,66.

Inflação de agosto

Em agosto, a inflação subiu 0,24% puxada, principalmente, pela alta no preço dos combustíveis e de alimentos. Segundo o IBGE, este foi o maior valor para o mês de agosto desde 2016. 

Já o avanço acumulado em 12 meses até agosto chegou a 2,44%, acima dos 2,31% de julho, aproximando-se do piso do intervalo para a meta de inflação neste ano -- de 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos – medida pelo IPCA.

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