Guedes quer trocar imposto das empresas por um “alternativo”, mas faz mistério

Recentemente, começou a circular em Brasília a hipótese de uma CPMF temporária e alguns citam prazo de seis anos

Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
24 de setembro de 2020 às 07:25
Capa do podcast Abertura de Mercado
Foto: CNN Brasil

Paulo Guedes defende que é preciso ter “tributos alternativos” para ajudar na retomada da economia. Ao contrário de outras situações, o ministro não defendeu diretamente a recriação de uma “contribuição digital”. Mas as palavras foram entendidas como um simples eufemismo para recriação da velha CPMF.

No episódio de hoje:

- O governo decidiu avançar com a estratégia de recriação de um imposto sobre transações financeiras;
- Paulo Guedes defende que é preciso ter “tributos alternativos” para ajudar na retomada da economia;
- Ao contrário de outras situações, o ministro não defendeu diretamente a recriação de uma “contribuição digital”;
- Mas as palavras foram entendidas como um simples eufemismo para recriação da velha CPMF;
- O jornal Valor Econômico menciona até que a ideia é ter uma alíquota de 0,20%, mas que valeria o dobro porque seria cobrada na ida e na volta;
- Sob o pretexto de que é preciso criar emprego e renda, o governo diz precisar desonerar os impostos que incidem na folha de pagamento de salários;
- Este novo tributo, portanto, vai compensar o que o governo deixará de arrecadar com as empresas;
- Todas as vezes em que o ministro da Economia mencionou a hipótese de recriação da CPMF foi duramente criticado pelo setor privado e por boa parte do mundo político;
- Recentemente, começou a circular em Brasília a hipótese de uma CPMF temporária e alguns citam prazo de seis anos;
- O Brasil reagiu à Covid-19 com um gasto público maior do que em qualquer outro país emergente e em um patamar comparável aos pacotes anunciados em países ricos;
- Esse cenário foi positivo para a reação da economia no curto prazo, mas leva o país a novos desafios;
- A avaliação é do Instituto de Finanças Internacionais, o IIF, entidade que reúne mais de 400 bancos de todo o mundo;
- É preciso reduzir gastos para cumprir a meta e conseguir financiar o grande rombo das finanças em um momento não propício;
- Além disso, o país está financiando o rombo das contas públicas pedindo dinheiro emprestado dos investidores com prazos cada vez mais curtos;
- Ter um governo com dívida de curto prazo em um cenário de déficit público elevado pode ser arriscado, dizem os economistas do IIF;
- O risco é ver uma escalada dos juros em um cenário de estresse e o direcionamento do dinheiro disponível apenas para o governo, o que diminuiria o financiamento do restante da economia; 
- Nas últimas semanas o mercado brasileiro deu passos atrás e ontem o Ibovespa voltou a 30 de junho;
- Principal índice da bolsa de São Paulo, operou em firme tendência de queda durante o dia e fechou com perdas de 1,60%, aos 95.735 pontos, menor patamar desde junho;
- Já o dólar subiu 2,18% ontem e a moeda norte americana fechou a R$ 5,58, no maior patamar desde 26 de agosto;
- Olhando para fora, os investidores estão sendo pressionados pelo temor de uma segunda onda da Covid-19;
- Internamente, investidores seguem bem preocupados com as contas públicas, especialmente com a indicação cada vez mais forte de que o presidente Bolsonaro quer um programa para substituir o auxílio emergencial em 2021;
- Localiza anunciou ontem o plano de unir negócios com a Unidas, as duas maiores locadoras de veículos do Brasil;
- O mercado ficou em polvorosa com a notícia e as ações das duas companhias fecharam a quarta-feira nas máximas. A ação da Unidas subiu 17,27% e a Localiza ganhou 13,97%;
- Pedro Galdi, da Mirae Asset, explicou que, juntas, as duas companhias formam uma empresa com maior poder de barganha e melhor situação financeira para a retomada da economia;
- Os analistas do Banco Safra também veem vantagem no negócio, mas dizem que é improvável que que haja aprovação sem restrições pelo Cade;
- Isso porque a nova empresa teria 65% de participação de mercado, o que é bastante elevado;
- A holding que controla os investimentos do grupo dono do Itaú e da família Setúbal, a Itaúsa, pretende ter entre 10 e 12 companhias no carteira de investimentos em período de três ou quatro anos;
- Este plano foi detalhado pelo presidente da holding, Alfredo Setúbal, em reunião anual com investidores;
- Os investimentos planejados são grandes, com valor entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões;
- Setúbal explicou que a intenção é ter empresas que tenham espaço para crescer, gerem caixa e lucro aos acionistas e estejam alinhados aos valores socioambientais do grupo;
- Quando entra em uma empresa, a Itaúsa quer fazer parte do bloco de controle e ter influência na gestão da companhia;
- AGENDA: O Banco Central divulga às 8h o relatório trimestral de inflação;
- Nos Estados Unidos, serão divulgados números sobre os pedidos de seguro-desemprego e também indicadores industriais relativos ao mês de setembro.

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