Ação da Natura a R$ 60? Bradesco aposta em valorização de mais de 20% nos papéis

Para justificar a aposta alta, o Bradesco diz que vê o início de um “forte ciclo de ganhos liderados pelas marcas Natura, The Body Shop e Aesop

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
29 de setembro de 2020 às 07:00
Fachada de loja da Natura: ações da empresa podem disparar em um ano, mas valorização depende do sucesso da integração da Avon
Foto: Divulgação/Natura

A Natura &Co tem dentro de casa marcas muito fortes – The Body Shop, Avon, Aesop e, claro Natura. Ainda tem a favor de si o fato de pertencer a um setor resiliente, que tem a fama de remar contra a maré em tempos de crise. 

De olho nisso, e animado com o futuro da integração da Avon, o Bradesco BBI vê potencial no papel da Natura (NTCO3) e prevê valorização de 23% nos próximos 12 meses. Um relatório do banco mostra que o preço alvo da ação subiu para R$ 60. No último fechamento – desta segunda-feira (28) –, os papéis valiam R$ 48,73.

Leia também:
Ação da B3 pode disparar 33% em 12 meses, mesmo se o Ibovespa cair; Entenda
IPOs: saldo das ações novatas na B3 em 2020 é negativo até aqui

Para justificar a aposta alta, o Bradesco diz que vê o início de um “forte ciclo de ganhos liderados pelas marcas Natura, The Body Shop e Aesop, além da integração da Avon no começo de 2021”. 

A confiança no bom desempenho dessas marcas é sustentada por dados animadores do setor. No primeiro semestre, o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) registrou crescimento de 0,84% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período no ano passado. O dado é da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). 

Olho na integração da Avon

O ponto de atenção é a integração da Avon à operação da Natura. A pandemia acelerou o processo, que é visto com desconfiança por parte do mercado, o que o Bradesco classifica como “ceticismo”. 

“Nossas empresas foram forçadas a trabalhar ainda mais juntas. Então, coisas como a fabricação de produtos Natura nas unidades da Avon foram aceleradas”, disse Roberto Marques, CEO da Natura, em entrevista à agência de notícias Dow Jones. 

Em relatório, o Bradesco afirma que este movimento é o principal fator de risco para o investimento na Natura, mas confia no modelo que a empresa adotou. A Avon vai ter muita ajuda da empresa-mãe para simplificar seu portfólio, acelerar o processo de digitalização da empresa e rejuvenescer sua marca. 

Para o banco, essas mudanças vão “ao menos estabilizar as receitas e lucratividade da Avon”. 

Assim como quase todas as varejistas, de vários segmentos, a Natura intensificou o investimento em digitalização. Agora, os mais de seis milhões de consultores e representantes de vendas – incluindo as “Avon Ladies” – usam o WhatsApp e Facebook para oferecer os cremes, perfumes e maquiagens das marcas. 

Pode ser mais de R$ 60

O novo preço alvo definido pelo Bradesco chama atenção pelo otimismo, mas o banco poderia ir além dos R$ 60. Isso porque enxerga oportunidades interessantes em mercados como a China, onde a The Body Shop e Aesop começaram a operar, mas não levou isso em conta na hora de definir o que considera um preço justo pelo papel. 

Além da presença na China, a Natura testa a viabilidade de operar na Malásia. Lá, abriu uma loja temporária, uma loja virtual e recrutou consultores para vender seus produtos.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook