Banco BV abre programa de estágio só para mulheres com salário de R$ 2,4 mil

Ao todo, são 44 vagas para alunas de qualquer curso superior

Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
30 de setembro de 2020 às 16:55 | Atualizado 01 de outubro de 2020 às 15:13
Mulheres no mercado de trabalho
Mulheres em um escritório de coworking: estágio da BV tenta corrigir gap no mercado financeiro
Foto: CoWomen/Unsplash

O banco BV acaba de abrir as inscrições para a primeira edição de seu programa de estágio exclusivo para mulheres. O "Elas por Elas" vai aprovar 45 candidatas em um processo seletivo às cegas, que tem uma maratona de desenvolvimento de produto como fase eliminatória. 

A iniciativa busca trazer mais avanços na diversidade do quadro de funcionários do banco. "A diferença de gênero no mercado é um desafio para todos, mas na área de Tecnologia ou em cargos de liderança esse problema fica mais evidente", diz a responsável pela área de seleção e carreira do BV, Mariana Afonso. 

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Além da bolsa auxílio de R$ 2.401,76, as aprovadas recebem benefícios como plano médico e odontológico, vales para refeição, alimentação e transporte, folga no dia do aniversário e acesso ao Gympass — plataforma de exercícios físicos e saúde. A cultura da empresa ainda permite horário flexível e vestimentas confortáveis.

Durante o processo seletivo, serão priorizadas candidatas com formação entre junho de 2022 e julho de 2023. Não há restrição quanto ao curso ou área de estudo. As inscrições vão até o próximo dia 19 de outubro na plataforma de recrutamento da Eureca. 

As aprovadas vão passar por um programa de mentoria, que busca desenvolver essas profissionais em início de carreira e alçá-las a cargos mais altos. "A gente já trabalha com os processos às cegas desde o ano passado para neutralizar barreiras e dar a mesma oportunidade para candidatos de diferentes contextos. Precisamos criar uma rede de apoio que as empoderem e que possibilite evolução na carreira dessas universitárias", explica Afonso.

Reduzir o gap

De acordo com dados mais recentes do Fórum Econômico Mundial, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho deve demorar 257 anos para acabar. E mercados como o financeiro e o de tecnologia evidenciam ainda mais esse problema.

A questão da diversidade voltou a ser centro de uma polêmica após a Magazine Luiza anunciar seu programa de Trainee que vai aceitar apenas candidaturas de profissionais negros. Nas redes sociais, a iniciativa foi criticada por ser um ato de "racismo reverso" e por descreditar práticas reverenciadas no mercado corporativo como os princípios de "meritocracia". 

Em resposta, o presidente do Magalu, Frederico Trajano, publicou um artigo defendendo novamente o projeto no site Brazil Journal. Segundo ele, a empresa não tem a pretensão de corrigir mazelas históricas do país, mas tem sim obrigação de corrigir os problemas da própria companhia, como a falta de representatividade na direção.

Sobre a repercussão esperada do mercado para o programa de estágio só para mulheres, Afonso diz que está tranquila. "A gente tem que estar muito conectada no nossos propósitos. Esse programa foi muito discutido e quando a gente acredita que está no caminho certo, fica tudo mais fácil", conta a responsável pelo recrutamento no BV.

Soluções

Para empresas que procuram reduzir essa diferença, a especialista sênior da consultoria Mais Diversidade, Elaine Terceiro indica justamente três práticas adotadas pelo BV neste programa de estágio: o processo seletivo às cegas, o programa de entrada voltado ao público feminino e o processo de mentoria dessas profissionais.

Outras medidas recomendadas pela especialista foram: assegurar a participação de mulheres em posições-chave na hora de avaliar desempenho ou promover alguém, viabilizar programas de saúde mental para todos, mas que olhem para as especificidades das mulheres e analisar benefícios, como, por exemplo, flexibilizar a licença parental para que os pais tomem parte no processo.

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