Vale negocia com a Tesla e setor de veículos elétricos fornecimento de níquel


Jeff Lewis, da Reuters
02 de outubro de 2020 às 19:53
Operário trabalha numa usina de produção de níquel da Vale

Vale: não é a primeira vez que a mineradora negocia com a Tesla

Foto: REUTERS/Yusuf Ahmad

A mineradora Vale está negociado com a Tesla e outros membros da cadeia do setor de veículos elétricos o fornecimento de níquel proveniente de suas operações no Canadá, disse nesta sexta-feira o diretor de Metais Básicos da empresa.

A Tesla não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, pediu em julho que as mineradoras produzissem mais níquel, item fundamental das baterias que abastecem os carros elétricos da companhia. Musk ofereceu um "contrato gigante" caso o mineral pudesse ser produzido de maneira ambientalmente sustentável.

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Embora os veículos elétricos tendam a ajudar a reduzir as emissões globais de carbono, ambientalistas temem que a produção de peças para os carros e o crescente nível de mineração possam afetar o meio ambiente.

Analistas também alertaram para um déficit de oferta de níquel, que torna a energia das baterias mais densa e permite que os carros circulem por mais tempo com apenas uma recarga.

A Tesla e outras montadoras precisam garantir que haja disponibilidade suficiente de níquel para produção das baterias fundamentais aos veículos pelos próximos cinco a oito anos, disse Mark Travers, diretor-executivo de Metais Básicos da Vale.

"Então essa é a natureza da discussão que eu tenho certeza que está ocorrendo em toda a indústria neste momento. E, sem comentar especificamente sobre a Tesla, essas são as conversas que nós estamos tendo neste momento", afirmou ele à Reuters.

Questionado sobre se Vale e Tesla já estiveram em discussão, Travers respondeu que "sim, com certeza".

A Vale, cujas operações canadenses abrangem três províncias, está em vias de expandir sua instalação em Voisey's Bay para operações subterrâneas, que produzirão cerca de 40 mil toneladas de concentrado de níquel por ano.

Travers destacou que a mineradora destinou 2 bilhões de dólares para projetos de baixo carbono em sua unidade de metais básicos, incluindo a eletrificação de veículos subterrâneos, a substituição de combustíveis e a recuperação de calor.

No Canadá, a empresa também estuda armazenar carbono em rejeitos em suas operações em Manitoba, disse o executivo.

Essas considerações são "um ponto-chave" nas discussões com montadoras e outros membros do setor de veículos elétricos, segundo ele.

"O níquel ambientalmente correto está no centro das discussões", acrescentou.

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