Os bilionários estão ainda mais ricos e acumulam patrimônio de US$ 10,2 trilhões


Hanna Ziady, da CNN, em Londres
07 de outubro de 2020 às 16:17
dólares

Notas de US$ 100: mundo tem 2.189 bilionários

Foto: Reuters/Lee Jae-Won

A riqueza dos bilionários do mundo atingiu um novo recorde no meio da pandemia com uma recuperação das ações de tecnologia que aumentou as fortunas da elite global.

A riqueza dos bilionários aumentou para US$ 10,2 trilhões no final de julho, ante um pico anterior de US$ 8,9 trilhões em 2017, de acordo com um relatório do banco suíço UBS e da PwC. O número total de bilionários aumentou de 31 para 2.189 desde 2017.

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Porém, alguns bilionários estão ficando mais ricos mais rapidamente que outros. A pandemia acelerou uma crescente diferença de riqueza entre inovadores nos setores de tecnologia, saúde e indústria e empreendedores em áreas como entretenimento, serviços financeiros e imóveis.

Isso contrasta com a maior parte da década passada, "quando o crescimento estável e os preços dinâmicos dos ativos elevaram a riqueza dos bilionários em todos os setores", acrescentou o relatório. Agora, os bilionários "do lado errado" das tendências tecnológicas e sociais estão se tornando relativamente menos ricos.

Essa polarização entre "bilionários inovadores" e o restante acontece no final de uma década em que o número de bilionários dobrou, e a riqueza total quase triplicou. “Nos últimos dois anos, aqueles que usam a tecnologia para mudar seus modelos de negócios, produtos e serviços têm crescido. A crise da Covid-19 apenas acentuou essa diferença", de acordo o relatório.

Em 2018, 2019 e nos primeiros sete meses de 2020, a riqueza total dos bilionários do setor de tecnologia aumentou 43% para US$ 1,8 trilhão, enquanto os bilionários da área de saúde tiveram um aumento de 50% para US$ 659 bilhões. Os bilionários como um todo tiveram um aumento de 19% no mesmo período, com os de serviços financeiros, entretenimento, materiais e imóveis registrando aumentos de 10% ou menos.

Geograficamente, a China continental teve o maior aumento na riqueza de bilionários nos últimos 10 anos, nove vezes mais em comparação com um aumento de duas vezes nos Estados Unidos. A mudança da China para a economia digital fez com que nomes como o fundador do Alibaba (BABA), Jack Ma, e Pony Ma da Tencent (TCEHY) se tornassem extremamente ricos, à medida que os magnatas da indústria e da construção ficaram para trás.

Desigualdade crescente

O relatório surge em meio a preocupações crescentes de que a pandemia só aumentará as desigualdades econômicas, inclusive em áreas como renda, educação e saúde.

Um relatório recente do Instituto de Estudos Políticos (Institute for Policy Studies), um think tank, verificou que, nas últimas duas décadas, o crescimento da riqueza dos bilionários dos EUA foi 200 vezes maior do que o crescimento da riqueza média.

Os 643 americanos mais ricos, incluindo empresários como Jeff Bezos da Amazon (AMZN) e Elon Musk da Tesla (TSLA), arrecadaram US$ 845 bilhões em ativos combinados entre março e setembro, aumentando sua riqueza em quase um terço, disse o relatório.

Também há temores de que as classes mais pobres do mundo aumentem neste ano. O braço de pesquisa das Nações Unidas alertou que a pobreza global pode aumentar neste ano pela primeira vez desde 1990, revertendo uma década de progresso.

De acordo com o relatório do banco UBS, os bilionários estão doando mais de sua riqueza do que nunca. Cerca de 209 bilionários prometeram publicamente doar US$ 7,2 bilhões entre março e junho, incluindo doações financeiras e produtos manufaturados.

“É um começo, mas os bilionários podem estar em um ponto de inflexão, disponibilizando energia renovada e riqueza para enfrentar os problemas ambientais e sociais que a pandemia e os desastres naturais recentes acentuaram”, consta no relatório.

A forma como os bilionários estruturam suas finanças está sendo cada vez mais investigada, à medida que os governos endurecem as leis que permitem que empresários e investidores paguem menos impostos e buscam regulamentar plataformas como Amazon e Facebook (FB).

De acordo com o Instituto de Estudos Políticos, as obrigações fiscais dos bilionários dos Estados Unidos, medidas como uma porcentagem de sua riqueza, diminuíram 79% entre 1980 e 2018.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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