IPCA de setembro sobe 0,64%, maior resultado para o mês desde 2003, diz IBGE

Setor de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta do indicador; em especial, óleo e arroz

Natália Flach, CNN Brasil Business, em São Paulo
09 de outubro de 2020 às 09:12 | Atualizado 09 de outubro de 2020 às 12:38

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro subiu 0,64%, ficando 0,40 ponto percentual (p.p.) acima dos 0,24% de agosto. Esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003 (0,78%). No ano, o indicador acumula alta de 1,34% e, em 12 meses, de 3,14%, acima dos 2,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2019, a variação havia sido de menos 0,04%.

A maior variação (2,28%) e o maior impacto (0,46 p.p.) no índice do mês vieram do grupo alimentação e bebidas, que acelerou em relação a agosto (0,78%). Isso ocorreu especialmente em função dos alimentos para consumo no domicílio, cujos preços subiram 2,89% frente a agosto. Entre as maiores variações, estão o óleo de soja (27,54%) e o arroz (17,98%), que acumulam no ano altas de 51,30% e 40,69%, respectivamente. Em conjunto, os dois itens contribuíram com 0,16 p.p. no IPCA de setembro.

Houve altas em outros seis grupos, com destaque para artigos de casa (1,00%), transportes (0,70%) e habitação (0,37%).

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O grupo vestuário, após quatro meses em queda, também apresentou alta (0,37%) contribuindo com 0,02 p.p. para o resultado de setembro.

No lado das quedas, o destaque foi saúde e cuidados pessoais (-0,64%), com impacto de -0,09 p.p. 

Os preços de outros produtos importantes, como o tomate (11,72%), o leite longa vida (6,01%) e as carnes (4,53%) também subiram. No lado das quedas, os destaques foram cebola (-11,80%), batata-inglesa (-6,30%), alho (-4,54%) e frutas (-1,59%).

"Os dados evidenciam uma pressão relevante no curto prazo dos preços ao consumidor e isto pode testar mais uma vez a paciência do BCB com o ritmo das reformas. Muito provavelmente devemos ter uma elevação da SELIC antes do projetado, mas ainda não mudamos nosso cenário base", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

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