'Estamos prestes a nos juntar à OCDE', diz Paulo Guedes

Para Guedes, é hora do Brasil abrir o horizonte para investimentos e, junto com as reformas, a interação com o comércio e cenário internacional é essencial

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
20 de outubro de 2020 às 12:54 | Atualizado 20 de outubro de 2020 às 13:21

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil está "prestes" a se juntar à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Estamos prestes a nos juntar à OCDE: já preenchemos 2/3 dos requerimentos necessários e, em até um ano, devemos preencher o resto", disse em debate virtual “Beyond the Headlines: the New U.S.-Brazil Opportunity”, promovido pelo Milken Institute Global Conference nesta terça-feira (20).

Para Guedes, é hora do Brasil abrir o horizonte para novos investimentos e, junto com as reformas estruturais, a interação com o comércio e cenário internacional é essencial para isso. 

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O ministro da Economia, Paulo Guedes
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ele reforçou que, em 2021 o Brasil será um país mais atrativo para investimentos internacionais, já que não haverá abandono do Teto de Gastos. "Será um grande erro não investir no Brasil", disse. 

O ministro destacou que a reforma tributária, por exemplo, não envolverá aumento da carga tributária mas sim uma reorganização que elimine impostos inadequados. Segundo ele, o novo sistema tributário do Brasil será mais parecido com o modelo norte-americano. 

"Vamos reduzir juros corporativos. Nos Estados Unidos, derruba-se os impostos corporativos de empresas e se taxa os dividendos. Já aqui, não se paga nada em dividendos e isso não é razoável. Teremos mais impostos nos dividendos e menos para empresas, disse Guedes.", explicou. 

Proteção do investidor cambial 

De acordo com ele, a equipe econômica, junto ao Banco Central, estuda criar um mecanismo de hedge cambial para investidores de longo prazo. "Se setor privado de fora quer pagar dinheiro extra para ter uma garantia ... nós podemos dar a eles por um certo preço. Se eles quiserem, nós vamos prover", comentou.

"Temos que ter um mecanismo especial porque é bem difícil para quem vem para cá investir por 10 anos numa estação de água ou programa de ferrovias. O investidor quer ganhar dólar mais 10%, dólar mais 12%, dólar mais 8%, e aí na última semana tem uma tensão maluca aqui por uma razão política ou outra e aí ele perde seu dinheiro", explicou. 

Na avaliação dele, também é o momento ideal para um 'roadshow' com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros, já que há um desafio de transformar o impacto no consumo, causado pela pandemia, em uma onda de investimentos no país.  

"Eu não acho que serei despedido nos próximos meses, como o antigo ministro da Fazenda (Dilson Funaro, em 1986), e eu acho que é hora de vir para o Brasil. É o lugar certo para bom dinheiro, dinheiro para horizonte de longo prazo, investimento privado", ressaltou. 

Amazônia 

Questionado sobre a política ambiental do Brasil, o ministro voltou a dizer que a situação é má interpretada lá fora. "Nossa bandeira é verde e amarela, somos verdes, temos as matrizes energéticas mais limpas do mundo", observou. 

Ele acredita ainda que uma solução sejam iniciativas que estimulem o "investimento verde", que é ligado à ações e empresas sustentáveis e ambientais. "Vamos honrar o Acordo de Paris, nos ajudem investindo na economia verde", pediu o ministro mais uma vez.

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