BDRs mais acessíveis: veja as vantagens de investir na Apple, Tesla e Alibaba


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
22 de outubro de 2020 às 09:13 | Atualizado 22 de outubro de 2020 às 11:05
Nasdaq

Prédio da Nasdaq, em Wall Street: investidor 'comum' poderá comprar BDRs de empresas listadas na bolsa norte-americana

Foto: Marcelo Favalli/CNN

A partir de desta quinta-feira (22), qualquer investidor poderá comprar BDRs. Com mudanças promovidas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), este tipo de ativo deixa de ser acessado pelos investidores qualificados – aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão em aplicações. 

Os Brazilian Depositary Receipts (BDR) funcionam como certificados que representam ações de empresas listadas em bolsas de outros países.

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A mudança é vista como muito positiva para o mercado. A palavra mais usada pelos especialistas que comentam a decisão da CVM é uma bem conhecida pelos investidores: diversificação. 

Atualmente, 671 BDRs estão disponíveis na B3. É possível investir nas maiores empresas do mundo, como Apple (AAPL34), Microsoft (MSFT34) e Amazon (AMZO34). 

E não são apenas as ações norte-americanas que ficam mais acessíveis. É possível investir no gigante chinês Alibaba (BABA34) e na montadora japonesa Toyota (TMCO34), por exemplo. 

“O Brasil é só 2% do PIB global e o nosso mercado de ações representa 0,7% do valor das ações globais. Investir em uma carteira global é também diversificar e reduzir o risco”, afirma, em relatório, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP e Head do Research da empresa. 

As vantagens

Além de ter acesso a outras empresas, os brasileiros que não têm R$ 1 milhão em aplicações conseguem agora acessar novos setores. 

Agora está ao alcance do investidor comum BDRs de empresas de inteligência artificial, bebidas destiladas e biotecnologia. A diversificação não está apenas no fato de acessar ações de outro país. 

A desburocratização do processo também é um atrativo. Será possível investir apenas com uma conta em corretora, sem precisar abrir uma conta no exterior e mandar remessas de dólar para fora do país. 

O investidor que compra BDRs tem os mesmos direitos que um acionista direto. Ele pode receber receber dividendos das empresas de fora, por exemplo. 

As mudanças promovidas pela CVM também devem afetar positivamente a liquidez desse tipo de ativo – quanto mais gente negociando, mais fácil de vender. Além disso, a flexibilização do lote mínimo de 100 unidades para dez vai aumentar a ainda mais a liquidez dos BDRs. 

Para ficar de olho 

A abertura para o investimento em ações lá fora pode afetar as ações de empresas brasileiras. Este é um dos riscos listados por Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos, em relatório. O resultado disso a longo prazo, segundo ela, ainda é difícil de ser previsto. 

“No curto prazo, isso pode trazer um impacto negativo, porém, a equação ainda é muito positiva aos investidores. A alocação em renda variável ainda é muito baixa no Brasil, ainda há muito espaço para o investimento em bolsa”, avalia Roxo. 

Os maiores BDRs

Na lista dos maiores ativos da modalidade, alguns se destacaram em um levantamento da Economatica realizado, A empresa mostrou que a os BDRs da Tesla tiveram valorização de 822% entre agosto de 2019 e agosto deste ano. 

Depois, a lista traz os certificados da Nvida (+308%), Apple (+213%), PayPal (+151%) e Mercado Livre (+148%). 

Confira abaixo a lista dos maiores BDRs listados na B3, classificados por valor de mercado da empresa. Vale lembrar que o papel da Apple está barato porque a empresa promoveu, recentemente, um desdobramento de ações. 

 

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