Na pandemia, preço médio do pacote de arroz de 5 kg subiu 71%

Segundo o Procon-SP, suas equipes de fiscalização chegaram a encontrar pacotes de cinco quilos por R$ 32,16 em São Paulo

Gabriel Passeri, da CNN, em São Paulo*
28 de outubro de 2020 às 00:06 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 15:00


Ao longo da pandemia do novo coronavírus, o preço médio do pacote de arroz de cinco quilos sofreu uma variação de 71%, de acordo com um levantamento do Núcleo de Inteligência e Pesquisas do Procon-SP em convênio com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em fevereiro de 2020, antes da chega do vírus no Brasil, o preço era de R$ 12,88, enquanto no mês de outubro, chegou a R$ 21,83.

A maior variação mensal ocorreu em setembro: um crescimento de 21% em relação a agosto de 2020. O pacote, que custava R$ 16,87 em agosto, atingiu o valor de R$ 20,25 em setembro.

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A pesquisa, realizada em 40 supermercados distribuídos nas cinco regiões do município de São Paulo, considera a média dos preços mínimos encontrados. Segundo o Procon-SP, suas equipes de fiscalização chegaram a encontrar pacotes de cinco quilos por R$ 32,16 na capital. No interior paulista, os valores chegaram a R$ 36,79.

No último domingo (25/10), Jair Bolsonaro (sem partido) irritou-se com o pedido de um homem, não identificado, sobre o preço do arroz. “Bolsonaro, baixa o preço do arroz, por favor. Não aguento mais", disse o homem. Irritado, o presidente respondeu prontamente: "Quer que eu baixe na canetada? Você quer que eu tabele? Se você quer que eu tabele, eu tabelo. Mas vai comprar lá na Venezuela".

Embora não exista tabelamento de preço, Fernand Capez, diretor executivo do Procon-SP, considera “inadmissível que fornecedores queiram abusar e aumentar desproporcionalmente seus lucros em plena pandemia”.

Após tamanha variação nos preços, 625 estabelecimentos foram notificados por fiscais do Procon-SP em todo o estado. Caso seja identificado um aumento desproporcional nos valores, um processo administrativo é aberto e os estabelecimentos podem ser multados.

* Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti