Pix terá cashback e possibilidade de programar pagamentos, diz Campos Neto

O novo sistema de pagamentos instantâneos foi lançado pelo Banco Central nesta segunda-feira (16)

Anna Russi, do CNN Brasil Business
16 de novembro de 2020 às 11:23
Pagamento por QR Code
Foto: Proxyclick Visitor Management System/Unsplash

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acredita que o novo sistema de pagamentos instantâneos, Pix, lançado nesta segunda-feira (16), vai aumentar a competição dos sistemas financeiro e de pagamentos no Brasil. Com isso, novos negócios serão mais viabilizados.

Na visão dele, o Pix também terá um papel importante na retomada econômica, após a crise causada por impacto da pandemia na economia. "É uma recuperação muito gerada por um incentivo da tecnologia e na produção de dados. A gente vê a quantidade de comércio online que está acontecendo: as pessoas pedem mais comida em casa e usam mais aplicativo", destacou.

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"O Pix dá amplo acesso a todos, o que significa milhões de pessoas digitalizadas e milhares de novos negócios. A gente vê que abaixar o custo e aumentar a inclusão, gera viabilidade", disse durante evento virtual de lançamento do Pix. Além disso, ele avalia que a maior competição também vai gerar uma oferta de novos produtos. 

"Com o Pix, a gente incentiva novos jogadores, novas empresas de tecnologia, as fintechs, o que provoca grande diversidade de negócios", completou. 

Campos Neto também reforçou que o novo sistema de pagamentos vai baratear o custo de operações financeiras. "Temos que pensar que a transferência de dinheiro e o pagamento, têm que ser tão fáceis quanto fazer uma ligação ou passar uma mensagem", defendeu. 

Para ele, a maior capacidade da produção e armazenamento de dados possibilitou a evolução dos meios de pagamentos. "Nesse sentido, a indústria financeira também se transforma e a sociedade demanda algo rápido, barato, seguro, transparente e aberto no meio de pagamentos. Pensando nesses cinco quesitos, o Pix nasce", observou.

Segundo o presidente do BC, o Pix faz parte do processo de aceleração da tecnologia global, chamado de "6 D", sendo eles: digitalização, desmonetização, desintermediação, desmaterialização, disrupção, democratização.

Com novas empresas e novos negócios incluídos no sistema financeiro, o BC espera uma maior segmentação e especialização. "No futuro, as empresas vão ser mais segmentadas: algumas empresas e aplicativos vão se especializar em uma coisa, outros vão se especializar em outra coisa. Isso significa menor custo e melhor serviço para o cliente", observou. 

Ele também acredita que os registros de ativos e imóveis passarão a ser eletrônicos. "Isso vai deixar o acesso mais fácil: elimina intermediário em várias vendas e comercialização de ativos. Isso moderniza a economia", comentou. 

O que está por vir 

Sem dar mais detalhes, o presidente do BC adiantou que, em breve, o Pix também contará com as funcionalidades de pagamentos programados e 'cashback'. 

"O Pix não para aqui. Teremos no futuro próximo novas funcionalidades como 'cashback' e pagamentos programados, e outras coisas que virão pela frente", ressaltou. 

O que é o Pix 

O Pix é o novo sistema de pagamentos instantâneos, lançado pelo Banco Central. Além de incentivar a competição entre as instituições financeiras, a inovação deve acelerar a digitalização dos pagamentos e o fim do papel moeda. 

O Pix também vai substituir, de forma gradual, os tradicionais TED (Transferência Eletrônica Disponível) e DOC (Documento de Ordem de Crédito). A partir de hoje, passa a ser possível fazer uma transferência bancária em poucos segundos. O sistema também vai funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana – inclusive em feriados.

Fase de testes 

Embora tenha entrado em pleno funcionamento nesta segunda-feira (16), entre os dias 3 e 15 de novembro, o Pix passou por uma fase de teste, com operação restrita à alguns clientes selecionados pelas instituições financeiras participantes do sistema. 

Até o último domingo (15), mais de 71 milhões de chaves Pix já haviam sido cadastradas. Durante o período de operação restrita, foram realizadas mais de 1 milhão e 900 mil transações entre instituições diferentes, com um montante financeiro que passou de R$ 780 milhões.

"O sucesso da fase de operação restrita reforça o potencial impacto que o Pix promoverá na indústria de pagamentos, alavancando a competição e resultando em melhores serviços aos usuários; na economia, com a eletronização dos pagamentos e consequente redução do custo social com instrumentos baseados em papel; e para a população, disponibilizando um meio de pagamento barato, seguro, instantâneo e prático", disse o Banco Central. 

Na avaliação da autarquia, transações iniciadas de forma simples, a partir da Chave Pix ou da leitura de QR Code, possibilitam uma melhor experiência de pagamento à população e reduzem os erros que ocorrem quando da inserção manual dos dados.

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