Azul: ações podem demorar a decolar após prejuízo histórico

Analistas não recomendam tanto a compra do papel e os preços-alvos dados pelos bancos, inclusive, estão abaixo do valor do fechamento do pregão de hoje

Vinicius Gonçalves, colaboração para o CNN Brasil Business
17 de novembro de 2020 às 11:19
Avisão da Azul: companhia aérea ainda sente os efeitos do coronavírus
Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

O terceiro trimestre de 2020 encerrou uma série amarga para o setor aéreo. Além da queda de 76% no número de passageiros – segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – algumas operadoras ainda calculam o prejuízo e tentam esboçar reações que sinalizem recuperação ao mercado. Caso da Azul (AZUL4), que anunciou prejuízo líquido de R$ 1,226 bilhão no terceiro trimestre de 2020 e tenta dar sinais de recuperação ao mercado.

Contudo, os analistas não destacam projeções otimistas sobre o ritmo da retomada das ações da operadora aérea. Na verdade, eles não recomendam tanto a compra do papel e os preços-alvos dados pelos bancos, inclusive, estão abaixo do valor do fechamento do pregão desta segunda-feira (16).

Leia também:
Azul tem prejuízo de R$1,2 bi no 3º tri, mas sinaliza recuperação da demanda
BCE: setor bancário está resistindo 'razoavelmente bem' à crise, diz Guindos

Relatórios divulgados nesta segunda-feira (16) indicam que a recuperação do preço-alvo das ações pode acontecer num ritmo menos acelerado devido a indefinições relacionadas ao controle da pandemia do novo coronavírus.

Embora não tenha definido uma projeção de preço-alvo para os próximos meses, o Banco Safra destaca que as perdas devem continuar devido aos custos elevados de correção dos próximos períodos. Do ponto de vista operacional, o levantamento indica que a operadora conseguiu recuperar algum fôlego em comparação com os meses anteriores. A empresa prevê recuperação de até 70% na venda de assentos do período pré-Covid até o mês de dezembro.

Já o Bradesco definiu um preço-alvo não muito otimista para a ação em novembro de 2021: R$ 27. O banco BTG Pactual, por sua vez, está com uma perspectiva em um pouco melhor em comparação aos demais bancos e definiu um preço alvo de R$ 29. No último fechamento antes da divulgação desses relatórios (na sexta, 13), o papel era negociado a R$ 29.

A reação do mercado ao balanço foi muito mais positiva para o papel. A Azul teve a maior alta do pregão, disparando 10,86% para R$ 32,15. O ânimo dos mercados internacionais com notícias positivas sobre a vacina que a farmacêutica Moderna desenvolve contra o novo coronavírus também ajudou o papel. Esse tipo de notícia costuma dar um “empurrãozinho” nas ações ligadas ao turismo. Porém, a segunda onda já é uma realidade bem incômoda.

Em resumo, os analistas acreditam que embora a retomada não ocorra numa velocidade consideravelmente rápida, a Azul possui todas as condições para superar a crise decorrente da pandemia. Os levantamentos mostram que a companhia tem uma posição de caixa que permite o funcionamento por pelo menos 5 anos com base no fluxo de saída de caixa atual. 

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook