Bilionário George Soros investiu na Palantir, que rastreia disseminação de Covid

A Palantir também gerou polêmica pelo seu relacionamento com agências governamentais, por monitorar atividades terroristas e analisar compras de consumidores

Paul R. La Monica, CNN Business, em Nova York
17 de novembro de 2020 às 08:55 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 09:17
Bilionário George Soros: a sua gestora adquiriu 18,5 milhões de ações da Palantir, o equivalente a US$ 175,3 milhões
Foto: Lisi Niesner/Reuters


Dois pesos pesados do mundo dos investimentos compraram recentemente participações na Palantir, a secreta e polêmica empresa de big data fundada por Peter Thiel.

A Soros Fund Management, dirigida pelo investidor e filantropo bilionário George Soros, e a Third Point, empresa liderada pelo investidor ativista Dan Loeb, divulgaram na sexta-feira que possuem ações da Palantir.

Enquanto a gestora de Soros adquiriu 18,5 milhões de ações da Palantir, o equivalente a US$ 175,3 milhões, a Third Point assumiu uma posição mais modesta, de 2,4 milhões de ações.

A gestora de Soros comprou cada papel por US$ 9,50. Como as ações subiram para quase US$ 16, a participação do bilionário agora é avaliada em cerca de US$ 294 milhões.

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A Palantir tornou-se uma empresa pública por meio de uma listagem direta de ações existentes na bolsa de valores de Nova York. Isso significa que a Palantir não precisou vender novas ações por meio de uma oferta pública inicial (ou IPO, na sigla em inglês) mais tradicional. Foi assim que o Spotify e o Slack também estrearam em Wall Street.

As ações da Palantir mais do que dobraram em relação ao chamado preço de referência de US$ 7,25 no dia da listagem direta. Assim, a companhia agora vale quase US$ 30 bilhões.

A empresa, que tem muitos governos como clientes, está envolvida em ajudar a rastrear dados sobre a disseminação do coronavírus, bem como a potencial distribuição de vacinas.

Mas Palantir também gerou polêmica devido ao seu relacionamento com agências governamentais e ao vasto acervo de dados que rastreia. Isso acendeu um alerta sobre riscos relacionados à privacidade do consumidor.

As plataformas Gotham, Foundry e Apollo da Palantir têm sido usadas para ajudar a monitorar atividades terroristas. As grandes empresas também usam os serviços da companhia para analisar dados sobre padrões climáticos e compras de consumidores.

A Palantir foi co-fundada por Thiel, um investidor de risco conhecido por ser membro da "máfia PayPal" que ajudou a lançar o gigante de pagamentos.

Até recentemente, pouco se sabia sobre as finanças de Palantir. Mas, antes de abrir o capital, a empresa revelou que, embora a receita esteja crescendo, ainda não é lucrativa. Isso é comum para muitos dos chamados unicórnios, startups que recebem avaliações de bilhões de dólares.

A Palantir divulgou resultados promissores para o terceiro trimestre na semana passada, o primeiro relatório de lucros desde a abertura de capital. As vendas aumentaram 52%, para US$ 289,2 milhões, e elevou sua perspectiva de receita para o ano inteiro. A empresa também anunciou que ganhou novos contratos com o exército dos EUA e o National Institutes of Health.

Mas a empresa também perdeu muito dinheiro no trimestre. A maior parte do prejuízo de US$ 853,3 milhões se deveu às despesas vinculadas à listagem. Excluindo isso e outras despesas ligadas à estréia em Wall Street, Palantir teve um lucro líquido de US$ 73,1 milhões. Com a notícia, as ações subiram mais de 8% na última sexta-feira.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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