Quem é Rebekah Mercer, cofundadora da Parler, polêmica rede conservadora

Extremistas antigovernamentais e supremacistas brancos promovem suas opiniões na Parler

Alexis Benveniste e Kaya Yurieff, do CNN Business, em Nova York
17 de novembro de 2020 às 15:32
Aplicativos: Parler foi um dos apps mais baixados em meio às eleições dos EUA
Foto: Rami Al-zayat/Unsplash

Rebekah Mercer, uma importante doadora para os conservadores, revelou no sábado (14) que está ajudando a financiar a Parler, a controversa plataforma de mídia social conservadora em rápido crescimento, que esteve no topo dos downloads da App Store na semana passada.

Mercer é filha de Robert Mercer, um gerente de fundos de hedge e cofundador da agora extinta empresa de análise de dados políticos Cambridge Analytica. Os Mercers têm sido defensores proeminentes do presidente Donald Trump e de causas conservadoras.

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“John e eu começamos a Parler para fornecer uma plataforma neutra para a liberdade de expressão, como pretendiam nossos fundadores, e também para criar um ambiente de mídia social que protegesse a privacidade dos dados”, Mercer disse em um comunicado na plataforma.

“A tirania e a arrogância cada vez maiores de nossos senhores da tecnologia exigem que alguém lidere a luta contra a mineração de dados e em favor da proteção da liberdade de expressão online. Esse alguém é a Parler, um farol para todos os que valorizam sua liberdade, a liberdade de expressão e a privacidade pessoal”.

O que é Parler?

Fundada em 2018 por Mercer, John Matze e Jared Thomson, a Parler se autodenomina “mídia social imparcial” e um lugar onde as pessoas podem “falar livremente e se expressar abertamente sem medo de ficarem ‘fora das plataformas’ por suas opiniões”, de acordo com seu site e a descrição da App Store.

Parece uma mistura de Twitter com Instagram em seu feed principal, contagem de seguidores e formas de compartilhar postagens e links.

A plataforma se tornou o aplicativo gratuito mais baixado da App Store da Apple no fim de semana de 8 de novembro, o dia em que os principais meios de comunicação anunciaram Joe Biden como presidente eleito dos EUA.

A plataforma atrai principalmente usuários conservadores. Alguns dos usuários mais ativos da Parler incluem o apresentador da Fox News Sean Hannity, a personalidade do rádio Mark Levin, a ativista de extrema direita Laura Loomer, o senador Ted Cruz e o deputado Devin Nunes. A campanha de Eric Trump e Donald Trump também tem contas na plataforma.

Um número substancial de usuários seguiu essas vozes na plataforma, atraídos pelas reclamações sobre a maneira usada pelas principais plataformas de mídia social para lidar com desinformação nas eleições e por falsas alegações de fraude eleitoral.

Mais do que o Facebook, o Twitter tomou medidas agressivas contra muitos dos tuítes do presidente Trump durante a eleição. A certa altura, após o encerramento da votação, a rede social aplicou rótulos de advertência a mais de um terço dos tuítes de Trump. Alguns ficaram escondidos atrás de uma etiqueta de aviso que os usuários precisavam clicar antes de ler o que diziam.

Com as grandes empresas de tecnologia sinalizando posts contendo informações falsas, a Parler se tornou um vale-tudo para vozes conservadoras.

De acordo com um relatório da ADL divulgado na quinta-feira (12), membros dos Proud Boys, adeptos do teoria da conspiração QAnon, extremistas antigovernamentais e supremacistas brancos promovem abertamente suas opiniões na Parler.

“A negação do Holocausto, o antissemitismo, o racismo e outras formas de intolerância também são fáceis de encontrar na rede”, disse a ADL.

Quem é Rebekah Mercer?

Por anos, os Mercers foram os principais benfeitores de grupos conservadores, desde o think tank da Heritage Foundation, onde Rebekah Mercer atua no conselho de curadores, até organizações que produziram livros e filmes anti-Hillary-Clinton.

A família emergiu de fato na política nacional no ciclo eleitoral de 2016, quando Robert Mercer, que ajudou a supervisionar o fundo de hedge da Renaissance Technologies, e sua esposa Diane doaram mais de US$ 23 milhões a grupos que apoiavam candidatos conservadores, de acordo com uma contagem da organização não partidária Center for Responsive Politics.

Na eleição de 2016, os Mercers financiaram um super PAC (grupo de ação política) que inicialmente apoiou a candidatura do senador Ted Cruz pelo Texas à indicação presidencial republicana, antes de virar seu apoio para a candidatura de Donald Trump.

Avessa à mídia, Rebekah Mercer teria persuadido o então candidato Trump a remodelar sua organização de campanha e contratar Steve Bannon e Kellyanne Conway para ajudar a levar a cabo a candidatura presidencial na reta final da eleição de 2016. Rebekah Mercer passou a servir no comitê executivo da equipe de transição de Trump,

A empresa não respondeu a um pedido de entrevista. Robert Mercer se afastou da Renaissance em 2017.

*Fredreka Schouten e Kaya Yurieff da CNN contribuíram para esta reportagem

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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