Turismo cresce mas faturamento fica abaixo do esperado para a alta temporada

No mês passado, 18% das agências apontaram terem faturado entre 50% e 100% do registrado há um ano; alta temporada deve ficar abaixo de 2019

Mylena Guedes*, da CNN, no Rio de Janeiro
17 de novembro de 2020 às 12:40 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 13:34

Apesar de ainda não haver uma vacina contra o novo coronavírus, os turistas estão se sentindo mais seguros para viajar. É o que aponta a pesquisa de outubro da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), que divulgou os dados e impactos da pandemia na comercialização das operadoras. 

Apesar de os números continuarem menores que do ano passado, existe um crescimento gradual e constante das vendas, tanto que 90% das operadoras consideram outubro melhor ou igual ao mês anterior, setembro.

Em relação ao volume de vendas, 18% das agências apontaram ter tido um faturamento entre 50% e 100% do registrado em outubro de 2019. Já 4% faturaram  mais que no mesmo mês do ano anterior. 

O número de empresas em outubro que faturaram 90% menos do que o ano passado está em 35%, lembrando que em abril, o pior mês de vendas de 2020, essa porcentagem estava em 80%.

Assista e leia também:
Criatividade ajuda no reaquecimento do turismo no Rio de Janeiro
Economia criativa e turismo são setores mais afetados pela pandemia, diz Sebrae
Fora do microfone, Bolsonaro promete vetar aumento de imposto para Turismo

Pesquisa da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo indica que viajantes preferem destinos litorâneos
Foto: CNN (2.set.2020)

Pela primeira vez, a pesquisa trouxe dados sobre a aquisição de seguros-viagem, um componente importante nas vendas, principalmente neste momento em que o mercado apresenta opções com cobertura exclusiva para a Covid-19. Mais de 60% das operadoras apontaram que a aquisição de seguros se manteve estável ou cresceu entre as demandas.

A aproximação da alta temporada aponta uma retomada no setor: 76% das operadoras comercializaram viagens para o primeiro semestre de 2021 e 63% venderam roteiros para dezembro, principalmente por causa do Natal e do Réveillon.

Mesmo assim, para cerca de metade das agências, o faturamento da alta temporada não vai atingir nem 50% do que foi registrado ano passado.  Entre os motivos estão questões como abertura de fronteiras e variação cambial.

A Braztoa estima que o setor deixou de faturar cerca de R$ 4,5 bilhões por conta do Covid-19 no primeiro semestre de 2020.

Assista e leia também:
Além de Porto Seguro: Forma Turismo quer expandir para EUA, Europa e planeja IPO
Tailândia volta a receber turistas enquanto protestos contra o governo seguem

Destinos mais procurados 

A pesquisa indicou que a preferência do turista por áreas com praia permanece. O Nordeste foi mais uma vez o destino nacional mais vendido, principalmente pacotes para Salvador, Porto de Galinhas e Fortaleza.

Depois vem a região Sul do país, com Gramado, na Serra gaúcha, e em seguida, o Sudeste, com o interior de São Paulo e o Rio de Janeiro.

Já as viagens internacionais têm como grande líder o México, com destaque para Cancún. Na América do Sul, a Argentina lidera o ranking.

Permaneceu no mês de outubro a tendência de compra de viagens com maior antecedência. Os embarques para o segundo semestre de 2021, por exemplo, corresponderam a 45% das vendas das operadoras. 

(*Sob supervisão de Isabelle Saleme)