Google anuncia aporte para seis startups de empreendedores negros no Brasil


Magaléa Mazziotti, colaboração para CNN Brasil Business
20 de novembro de 2020 às 17:06 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 18:44
Empreendedora

 

Foto: @wocintechchat.com

Ser um empreendedor autodeclarado negro ou negra é o pré-requisito do Google para o seu primeiro investimento direto em startups brasileiras via Black Founders Fund. O fundo busca combater a desigualdade racial no ecossistema de inovação brasileiro.

Neste 20 de novembro, mais seis negócios em estágio inicial foram selecionados para contar com o aporte financeiro e a mentoria do Google for Startups. São eles:  Aoca Game Lab, LegAut, EasyJur, WeUse, Treinus e Wellbe.

Desde setembro, quando o fundo foi lançado oficialmente, já são nove startups investidas, e o objetivo é incentivar o desenvolvimento de 30 companhias até o fim de 2021.

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“Esta é a primeira vez que o Google investe diretamente em startups no Brasil e, sendo assim, faremos a gestão do portfólio de empresas investidas de forma diferente do que fazemos com as participantes dos nossos programas. Temos uma grande rede de mentores e especialistas do Google que estarão conectados às startups na medida das suas necessidades”, explica André Barrence, diretor do Google for Startups na América Latina. 

O Black Founders Fund disponibiliza um valor inicial de R$ 5 milhões, que é liberado conforme o produto de cada startup vai ganhando maturidade.

“As selecionadas estão aptas a escalar seus negócios e promover mudanças significativas em suas comunidades, não apenas em relação à maior diversidade no mercado, mas também no impacto que suas soluções podem produzir”, aponta.

O Vale do Dendê e a Preta Hub colaboram indicando empresas com potencial e preparo para receber o capital. Tais instituições vão atuar ao lado do Google for Startups em sessões de treinamento para mentores e realizar fóruns sobre diversidade racial para engajar líderes e players importantes da indústria de tecnologia.

Para participar da seleção, a startup deve oferecer uma solução criada com base em tecnologia e já ter um negócio em operação, com produto lançado, alguns usuários e possíveis clientes. Também é preciso explicar como será usado o dinheiro.

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Diferentemente de outras ações, as empresas que são reprovadas na primeira tentativa podem ajustar seus negócios, melhorar suas métricas e se candidatar novamente durante o período do programa.

“O Google for Startups acredita que as startups são um dos principais motores do crescimento econômico em suas comunidades. Quando você investe em empreendedores negros, você não está só ajudando os negócios deles a crescerem, mas também investindo em diversidade e inclusão, geração de empregos e riqueza, e apoiando soluções para importantes problemas da nossa sociedade”, defende Barrence.

Desigualdade de oportunidades

Números escancaram o nível de desigualdade de oportunidades. De acordo com o IBGE, 56% da população se autodeclara negra. No entanto, segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Locomotiva, somente 29% dos empreendedores de negócios formais são negros.

Muitos dos empreendedores negros não conseguem crédito (quase 30% tiveram crédito negado sem explicação), de acordo com o estudo “O Empreendedorismo Negro no Brasil”, realizado pelo PretaHub, em parceria com a Plano CDE e JP Morgan.

“O Black Founders Fund tem o objetivo muito claro de ajudar a endereçar uma lacuna de acesso ao crédito causada pelo racismo estrutural do nosso país e que existe hoje no ecossistema brasileiro”, afirma Barrence.

Na própria base de membros do Google for Startups Campus, que conta com mais de 150 mil pessoas integradas ao ecossistema de tecnologia e inovação de todo o país, há nove vezes mais fundadores de startups que se autodeclararam brancos do que negros. Dentro do universo de fundadores, o número de pessoas brancas que se dedicam em tempo integral a suas startups é dez vezes superior ao número de pessoas negras. “Estes são alguns exemplos que ilustram a diferença de oportunidades, cuja origem está na injustiça social e racial sistêmica que temos no país”, alerta.

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