United Airlines diz que pico de Covid-19 está atingindo viagens aéreas novamente


Chris Isidore, do CNN Business, em Nova York
22 de novembro de 2020 às 05:30
United Airlines
Avião da United Airlines: a companhia norte-americana disse que o aumento de casos de coronavírus 
Foto: Emiel Molenaar/Divulgação

O aumento nos casos da Covid-19 está começando a atingir as viagens aéreas mais uma vez, de acordo com a United Airlines.

A companhia aérea norte-americana alertou em um documento na quinta-feira (19) de manhã que viu uma queda nas reservas e um aumento nos cancelamentos, o que atribuiu à subida dos números de casos de Covid-19 em todo o país.

A companhia aérea também pode ter que cortar sua programação ainda mais profundamente no quarto trimestre, além do corte planejado de 55% em comparação com um ano atrás.

Leia também:
Black Friday da Classe A: marcas de luxo dão desconto de até 70% no Iguatemi
Google anuncia aporte para seis startups de empreendedores negros no Brasil

O número de casos de Covid-19 dos EUA está crescendo rapidamente, atingindo níveis recordes na última semana. Foram 170 mil novas infecções por Covid-19 nos EUA registradas na quarta-feira (18), conforme o número de mortes nos EUA cruzou o marco de 250 mil casos. Muitos estados estão reimpondo restrições às atividades sociais e de negócios.

Embora as companhias aéreas dos EUA estejam esperando sua semana mais movimentada desde março por causa do feriado de Ação de Graças no final do mês, muitas autoridades de saúde pública estão incentivando os norte-americanos a limitar suas viagens e exposição a parentes mais velhos. Na quinta-feira, os Centros de Controle de Doenças (CDCs) recomendaram aos cidadãos que não viajassem no feriado mais movimentado do país.

O setor de aviação não estimula nem desestimula as viagens de férias, disse o chefe do grupo comercial do setor. 

“Não estamos incentivando as pessoas a viajar. Queremos vê-las viajar? Sim, mas só se for seguro para elas”, afirmou Nick Calio, CEO da Airlines for America. “Há vários fatores envolvidos nisso para cada viajante individual”.

A United foi a primeira companhia aérea dos EUA a reduzir sua programação doméstica em março, quando o surto inicial nos Estados Unidos começou a afetar as viagens aéreas. Em seguida, todas seguiram o exemplo com cortes profundos nas programações à medida que a quantidade de viagens aéreas despencava.

Quando a pandemia alcançou o país, as empresas suspenderam as taxas de remarcação que normalmente cobram. Em setembro, elas retiraram tais taxas permanentemente. Isso tornou mais fácil para os passageiros cancelar as reservas, mas os clientes geralmente só recebem um crédito, não um reembolso, quando cancelam seus planos de viagem.

Dois dos principais rivais da United também relataram desaceleração nas reservas recentemente, embora nenhuma delas tenha mencionado um aumento nos cancelamentos de reservas.

Vasu Raja, diretor de receita da American Airlines (AAL), a maior aérea do mundo, disse a investidores em uma conferência na terça-feira (17) que a empresa “definitivamente viu uma queda nas vendas de passagens”.

“Não estamos nem perto dos efeitos negativos que vimos em julho ou no período de março a abril”, disse. “Mas agora estamos em um lugar onde podemos antecipar e planejar uma rede em torno dessa questão. Já vimos isso”.

A American disse que ainda está adicionando voos na próxima semana para o Dia de Ação de Graças, passando de cerca de 3,5 mil por dia para mais de 4 mil.

A Southwest (LUV) apresentou a mesma orientação na semana passada, na qual afirmou ter experimentado uma desaceleração na melhora da receita nas últimas semanas para o período de novembro e dezembro.

“Não está claro se a suavidade nas tendências de reservas é um resultado direto do recente aumento nos casos da Covid-19”, contou. “Como tal, a empresa permanece cautelosa neste ambiente de receita incerto”.

A Delta (DAL), a outra grande companhia aérea dos EUA, não respondeu imediatamente às perguntas sobre o pedido da United.

As ações da United (UAL) caíram cerca de 1% no final  da negociação, enquanto as ações de outras empresas pouco se alteraram.

Pete Muntean e Gregory Wallace da CNN contribuíram para esta matéria

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)