Bitcoin perto do recorde de preço: ainda vale a pena comprar?

"O grande risco hoje é não ter esse ativo no seu portfólio de investimentos”, afirma Fabricio Tota, diretor do Mercado Bitcoin

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de novembro de 2020 às 19:43
Foto: André François McKenzie/Unsplash

O bitcoin está perto de alcançar seu maior valor na história. Na noite desta segunda-feira, a criptomoeda era negociada a US$ 18.379, um pouco abaixo do recorde histórico de US$ 19.655, atingido em dezembro de 2017. 

Olhando os gráficos, o rali é muito parecido com o movimento que levou a cotação ao preço recorde. Mas especialistas garantem que o cenário deste ano é muito diferente e mais favorável aos investidores da criptomoeda. 

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“A perspectiva de curto prazo é alcançar o recorde. Em 2021 vejo potencial para uma alta ainda mais forte”, comenta Safiri Felix, diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto). 

No Brasil, o bitcoin ultrapassou a barreira dos R$ 100 mil, fortemente impactado pela desvalorização do real. É o maior valor já registrado da criptomoeda no país.

Com o bitcoin próximo de uma cotação recorde, ainda dá tempo de aproveitar o rali? Os especialistas não pensam duas vezes antes de dizer que sim, mas recomendam muito preparo antes de entrar nesse mercado. 

“É óbvio que não temos como fazer projeções. A recomendação é estudar para entender essa classe de atvos e manter a disciplina de fazer aportes recorrentes para diminuir a exposição a oscilações”, aconselha o executivo da ABCritpo. 

2020 x 2017

Antes de sair comprando, é interessante entender o motivo da valorização do bitcoin. Neste ano, a cotação da criptomoeda já avançou mais de 160%.

A entrada de investidores institucionais é o que deixou esse mercado aquecido nos últimos meses. As empresas e fundos estão “validando a tecnologia’, explica Fabricio Tota, diretor do Mercado Bitcoin.

“Estamos vendo um movimento relevante de investidores institucionais nesse mercado. Esse movimento é maior do que o de pessoas físicas, ao contrário do cenário que tivermos em 2017, quando mais pessoas físicas entravam no mercado”, afirma Tota.

Um relatório da Pantera Capital mostra o apetite das empresas pelos ativos. O PayPal e a Square compraram, juntas, 70% de todos os bitcoins minerados nos últimos 30 dias. 

A quantidade de bitcoins “nascendo” todos os dias vai diminuindo conforme passam os anos. Pelos próximos quatro anos, serão gerados 900 bitcoins por dia. Depois disso, a taxa de emissão cai pela metade e vai a 450. 

Existem 18,5 milhões de bitcoins em circulação. O estoque total das criptomoedas é de 21 milhões. Ou seja, 85% do estoque já está em circulação. Enquanto isso, a demanda não para de crescer. 

Tudo isso mostra um movimento mais sólido na comparação com 2017. Isso porque as empresas tendem a segurar por mais tempo os ativos nas carteiras, evitando quedas acentuadas no preço do ativo e sustentando o patamar recorde previsto pelos especialistas. 

Quanto e quando comprar?

Tota, do Mercado Bitcoin, aconselha aos mais conservadores alocar cerca de 1% dos investimentos em bitcoins. A dica vale para os menos experientes. 

Para quem tem mais apetite por risco, o conselho é reservar uma fatia de 10% a 15% da carteira para o investimento na criptomoeda. 

“Para quem não começou é importante dar o pontapé inicial nesse mercado. O grande risco hoje é não ter esse ativo no seu portfólio de investimentos”, afirma. 

Além disso, é importante se lembrar da dica de Safiri Felix, que recomenda que o aporte seja feito em várias etapas para fugir de grandes variações. 

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