Guedes diz que país pode ter 'zero perda de emprego', após abrir 395 mil vagas

O número de outubro é resultado de 1.548.628 admissões e 1.153.639 desligamentos, mas o acumulado do ano ainda é negativo com 171.139 empregos perdidos

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
26 de novembro de 2020 às 10:47 | Atualizado 26 de novembro de 2020 às 21:04

 

O Brasil abriu 394.989 vagas de trabalho com carteira assinada em outubro. Resultado de 1.548.628 admissões e 1.153.639 desligamentos, o número é 26,8% superior ao número de postos abertos em setembro, sinalizando uma aceleração na recuperação do mercado de trabalho.

Os números foram divulgados pela Secretaria de Trabalho nesta quinta-feira (26). Além de ser resultado recorde na série histórica,  é o quarto mês positivo após quatro meses consecutivos de saldo negativo desde o início da pandemia.

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Foto: Tony Winston/Agência Brasília


Para a equipe econômica, a criação de empregos por quatro meses consecutivos reforça a retomada econômica. "Protegemos os empregos e agora ligamos a máquina de fazer emprego. Então, a economia está voltando em V, está voltando forte", afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante coletiva de imprensa para comentar os dados do Caged.

No acumulado do ano, no entanto, o saldo continua negativo: são 171.139 empregos perdidos, com 12.231.462 contratações e 12.420.601 desligamentos.

Apesar do resultado dos 10 primeiros meses do ano ser o pior desde 2016, Guedes acredita que o Brasil pode fechar 2020 com perda "zero de empregos", mesmo em um ano em que o país e o mundo foram atingidos "tragicamente" pela pandemia de Covid-19 e seus impactos na economia. 

"Se terminarmos o ano, como é bastante possível, com zero perda de empregos no mercado de trabalho formal, terá sido um ano histórico para a economia brasileira", disse. 

Vale destacar que, assim como janeiro, dezembro é um mês em que o resultado do Caged é historicamente negativo por conta das características sazonais, com demissões de um alto número de funcionários contratados em outubro e novembro para ajudar com as demandas do fim do ano. 

Assim, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, explicou que a fala do ministro se baseia nos dados atuais do Caged, que está mostrando um retorno da criação de empregos acima das expectativas da equipe econômica. "São meses positivos sobre meses positivos. O mês de dezembro é historicamente negativo sim, nós não temos a influência positiva do benefício emergencial e isso tudo nos permite afirmar, com base agora no Caged, que tem grandes chances de ter um número neutro até o fim do ano", esclareceu.

"Não é razoável que a gente espere comportamento 100% igual ao que normalmente acontece nos outros anos. A final de contas, a resposta do mercado agora  e da geração de empregos ela, logicamente olha pra questões sazonais, mas está respondendo a uma retomada econômica e a uma demanda reprimida de alguns setores, de algum tipo de consumo, durante os piores meses da pandemia. Isso nos leva a antecipar uma continuidade na geração de empregos, possivelmente, até o final do ano", completou o secretário de trabalho, Bruno Dalcolmo. 

Para Dalcolmo, o programa de proteção de empregos que permitiu a redução de jornada ou suspensão de contratos, o BEM, deve ajudar na manutenção do nível de empregos no final do ano. 

"Normalmente dezembro tem um fechamento forte alí, perto de 300 mil, na hora em que as empresas começam a demitir os trabalhadores contratados em setembro e outubro para se preparar pro final do ano, para o Natal, mas, esse ano, o comportamento da demanda e, consequentemente, da geração de empregos pode ser diferente dos outros anos", comentou. 

Para Guedes, o resultado de outubro foi extraordinário e será difícil de ser superado. "Acho que não vamos conseguir criar ainda mais do que isso, mas só a indicação de que podemos terminar o ano com zero é extraordinária e também o registro de que é o melhor mês da história. Nunca o Brasil criou tantos empregos", reforçou. 

Por setores e regiões 

No mês de outubro todos os setores da economia criaram vagas de empregos formais, com exceção do setor agropecuário. A abertura de empregos formais, no entanto, foi liderada pelo setor de serviços, que criou 156.766 postos de trabalho. Em segundo lugar está o setor de comércio, com 115.647. 

Por outro lado, no acumulado de janeiro a outubro, os dois setores, de serviços e de comércio, foram os únicos com saldo negativos. No ano, a construção civil é o destaque com a criação de 138.409 trabalhos. 

De acordo com o ministério da Economia, todas as cinco regiões do país tiveram saldos positivos. O destaque, no entanto, ficou no Sudeste, que criou 186.884 empregos. Em seguida, estão as regiões Sul e Nordeste, com 92.932 e 69.519 vagas criadas, respectivamente. 

No acumulado do caso, no entanto, a região Sudeste liderou as demissões, com um total de 255.419 empregos perdidos. Em segundo lugar, a região Nordeste fechou 31.823 vagas.

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