IBGE: taxa de desemprego sobe em 10 dos 27 Estados – na Bahia, chega a 20,7%

O quadro é ainda pior quando se leva em conta os trabalhadores que gostariam de trabalhar, mas não procuram emprego, ou trabalham menos horas do que gostariam

Vinicius Neder, do Estadão Conteúdo
27 de novembro de 2020 às 18:04 | Atualizado 27 de novembro de 2020 às 19:07

 

A alta da taxa de desemprego no terceiro trimestre ocorreu em 10 dos 27 Estados. A Bahia seguiu com a maior taxa regional, de 20,7%, ante os 14,6% do país como um todo. Sergipe (20,3%), Alagoas (20,0%) e Rio de Janeiro (19,1%) completam a lista dos Estados com a taxa de desocupação mais elevada, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na Bahia, o total de desempregados ficou em 1,273 milhão de pessoas no terceiro trimestre, uma alta de 8,8%, ou 103 mil pessoas a mais, no período de um ano.

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O quadro é ainda pior quando se leva em conta os trabalhadores que gostariam de trabalhar, mas não procuram emprego, ou trabalham menos horas do que gostariam.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho, espécie de taxa ampliada de desemprego, que inclui essas pessoas, ficou em 45,9% na Bahia, ante os 30,3% do País como um todo.

Os Estados nordestinos são campeões nessa medida mais ampla do desemprego. Segundo o IBGE, a taxa composta de subutilização na região Nordeste como um todo ficou em 43,5% no terceiro trimestre.

Adriana Beringuy, gerente da Pnad Contínua, explicou que isso se dá por causa do predomínio do trabalho informal no Nordeste. "A informalidade puxou muito a queda na ocupação. E esse processo de subutilização está ligado à informalidade", afirmou a pesquisadora do IBGE.

A informalidade está associada à subutilização porque no caso do trabalho informal, especialmente entre os trabalhadores por conta própria, como vendedores ambulantes, a saída da ocupação pode se dar quando o trabalhador fica em casa sem trabalhar - e não porque foi demitido ou dispensado.

Ao longo da pandemia, o pagamento do auxílio emergencial sustentou a renda desse tipo de trabalhador, mas fora da força de trabalho.

Se a Bahia tem a maior taxa de desemprego, o salto mais forte, na comparação com o segundo trimestre, foi visto na Paraíba, com 16,8%.

No segundo trimestre, a taxa de desocupação estava em 12,8% por lá. Em apenas um trimestre, 32,7 mil pessoas passaram ao desemprego na Paraíba, um salto de 62% ante o segundo trimestre. Pelo conceito mais amplo, falta trabalho para 814 mil por lá. A taxa composta ficou em 43,1% na Paraíba.

Na outra ponta do ranking, Santa Catarina ficou com a menor taxa de desemprego do País, como ocorre tradicionalmente. No terceiro trimestre, o indicador ficou em 6,6%, menos da metade da taxa nacional. A lista dos Estados com menores taxas se segue com Mato Grosso (9,9%), Paraná (10,2%) e Rio Grande do Sul (10,3%).

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