Gol pode ser a primeira aérea do mundo a retomar voos com o Boeing 737 Max

Primeiros voos podem acontecer dia 18 saindo de Guarulhos (SP) para Brasília (DF), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Salvador (BA)

Vinícius Casagrande, colaboração para o CNN Brasil Business
03 de dezembro de 2020 às 18:44 | Atualizado 03 de dezembro de 2020 às 19:00
Avião Boeing 737 Max da Gol
Foto: Divulgação

A brasileira Gol poderá ser a primeira companhia aérea do mundo a retomar os voos comerciais com o Boeing 737 Max. Os primeiros voos podem acontecer no próximo dia 18 saindo do aeroporto de Guarulhos (SP) para Brasília (DF), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Salvador (BA). Nos dias seguintes, outras rotas devem ser adicionadas à malha do 737 Max.

As informações sobre os primeiros voos do 737 Max constam do Sistema de Registro de Operações da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Apesar do registro na Anac, a Gol ainda não confirma oficialmente que irá utilizar o 737 Max nessas rotas. 

Procurada, a empresa afirmou apenas que "o retorno do Boeing 737 Max à operação da Gol ocorrerá de forma progressiva ao longo das próximas semanas". 

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Ao consultar esses voos no sistema de reserva da Gol, os dados sobre a aeronave utilizada aparecem como “sem informação”. Nos demais voos, consta o modelo Boeing 737-800. É mais um sinal de que a companhia teria intenção de realizar esses voos com o 737 Max. 

Caso o retorno do 737 Max se confirme para o dia 18, a Gol poderá ser a primeira companhia aérea do mundo a retomar os voos com o modelo. A norte-americana American Airlines também deve voltar a voar com o modelo em breve. Os primeiros voos estão planejados somente para o dia 29 de dezembro entre Nova York e Miami. A companhia, no entanto, também pode antecipar essa data.

A empresa informou que fez nesta quinta-feira (3) o primeiro voo com passageiros convidados --incluindo Paulo Kakinoff, diretor presidente da companhia, Celso Ferrer, vice-presidente de Operações, e Joaquim Constantino, membro do Conselho de Administração, acompanhados de suas famílias.

Dois acidentes e 20 meses parado

O Boeing 737 Max ficou 20 meses proibido de voar após dois acidentes que causaram 346 mortes na Indonésia e na Etiópia. Nos dois casos, uma falha nos sistemas de controle de voo teria causado a queda dos aviões. 

Uma longa investigação liderada pela FAA, agência de aviação dos Estados Unidos, identificou os problemas que causaram os dois acidentes. Para retomar os voos, a Boeing foi obrigada a realizar uma série mudanças no modelo. 

Entre as exigências de projeto está a determinação para a reconfiguração do sistema de controle de voo, a correção do roteamento do conjunto de cabos, revisões de procedimentos incorporados ao manual de voo e testes de recalibração dos sensores, além de uma revisão do programa de treinamento dos pilotos. 

O avião foi liberado para voltar a voltar nos Estados Unidos no último dia 20. No Brasil, a Anac aprovou o retorno das operações do Boeing 737 Max no dia 25. “A Anac retirou a Diretriz de Aeronavegabilidade que restringia a operação do Max no Brasil após concordar com a avaliação da FAA de que todos os elementos técnicos e regulatórios necessários para endereçar as questões de segurança foram realizados”, afirmou. 

A agência brasileira participou de todo o processo de investigação e análise do modelo em um comitê internacional no qual também estavam presentes técnicos da Easa, agência europeia de aviação, e da TCAA, do Canadá.

Gol já retomou voos técnicos

Apenas um dia após o avião ser liberado para voar novamente, a Gol iniciou os voos técnicos com o Max na última quinta-feira (26). A companhia tem sete aviões do modelo na sua frota. Para voltar a operar, foi necessário fazer mudanças em alguns sistemas do avião e treinar os pilotos.

Em nota, a Gol afirmou ter sido “a primeira companhia aérea que decolou a aeronave no mundo com todos os requisitos de atualização incorporados, após a revogação da suspensão pela FAA e pela Anac”. 

Os voos técnicos com cada um dos sete aviões são um dos requisitos exigidos antes da retomada ao serviço do Boeing 737 Max.

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