Está endividado? Veja 6 dicas para fechar o ano no azul

Mais da metade da população está endividada. E não para por aí: o índice de 67,1% foi o maior registrado desde 2010, segundo CNC

Juliana Faddul, colaboração para o CNN Brasil Business, em São Paulo
10 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 10 de dezembro de 2020 às 07:31
Economias em moeda
Foto: Josh Appel / Unsplash

Para boa parte dos brasileiros, o vermelho não está só na roupa do Papai Noel: ele acaba se estendendo para as finanças. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), na metade do ano, mais da metade da população está endividada. E não para por aí: o índice de 67,1% foi o maior registrado desde 2010. 

O CNN Business conversou os professores de economia Agostinho Celso Pascalicchio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, para saber o que fazer para terminar o ano no azul. 

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Use o 13º para pagar dívidas

O dinheiro extra que entra neste fim de ano é essencial para quem quer se desafogar das dívidas. Aproveite para diminuir as prestações e os outros possíveis gastos.

"Assim que receber o salário, aposentadoria ou qualquer rendimento, transfira imediatamente todo o recurso para a sua conta poupança", fala Agostinho Celso Pascalicchio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "A partir dela, faça a sua gestão de gastos, pagamentos e até outros investimentos ou aplicações. Este procedimento fica muito facilitado com o uso dos aplicativos de celulares."

"O uso do 13º salário é para pagar dívidas, não para se endividar ainda mais com compras por causa do Natal", afirma William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.

Note e anote

Para efetivar o planejamento financeiro, a melhor saída é anotar os seus gastos, numa espécie de diário. "O dinheiro faz parte do nosso cotidiano. Acostumar-se a fazer um planejamento é essencial. Comece com os valores básicos e conhecidos, e não se esqueça de detalhes", fala Pascalicchio. 

Os endividados mais tradicionais podem usar um caderno e os mais tecnológicos, fazer uma planilha digital --seja no Excel ou via aplicativos. O que vale é registrar toda e qualquer entrada e saída de dinheiro. Quanto mais detalhado melhor. 

As compras de presentes de fim de ano, principalmente, entram nesta planilha. "Planejar as despesas do fim de ano, para quem esta endividado, tem que ser bem detalhado e restritivo", fala Eid. 

Planeje     

Pascalicchio dá uma dica de ouro para quem ainda tem dúvidas na gestão de finanças: a "regra 50-15-35". A ideia é dividir o orçamento em três grupos de gastos, sendo:  

- 50% para os gastos essenciais como alimentação, transporte, vestuário, educação e, se conseguir, o lazer;
- 35% para os imprevistos. Aqui entram aquisição de um presentes de última hora, despesas "inesperadas", como almoços e jantares especiais;
- 15% para renegociar a dívida. "Este porcentual é o mais importante, porque é a parcela planejada que irá colaborar para reduzir ou eliminar as dívidas", fala o professor do Mackenzie.

Troque dívidas

Caso o valor das dívidas ultrapasse os 15% citados acima, a saída é a renegociação ou mudança de dívida. "Somente nesta situação é adequado acessar linhas de crédito, empréstimos e que tenha juros menores do que cartões de crédito e outras linhas de financiamento", completa Pascalicchio.

Eid dá uma dica: "Se as suas dividas são de cartão de crédito, que são muito caras, pense em trocá-las por alguma coisa mais barata, como crédito pessoal."

Fuja das tentações

Empréstimos são uma tentação, ainda mais nesta época do ano. Afaste-se! Os piores tipos são os "consignados". Por quê? As taxas de juros são altas, o compromisso é elevado, e o prazo para pagar normalmente é longo.

"Se for necessário utilizar este recurso, consolide muito bem a sua dívida e planeje o pagamento sem criar – se possível – nova dívida no futuro", fala o professor do Mackenzie.

Outro perigo é o cartão de crédito. E o professor Eid é bastante categórico: "Guarde o cartão de crédito num cofre e perca a chave. Final do ano é época de tentações. Resista". Então tá. 

Mude seus hábitos

Agora o exercício é de auto-conhecimento. Alguns hábitos bobos podem estar secando a sua fonte de renda. Ter dinheiro pode ser muito mais fácil se você erradicar (ou diminuir) alguns costumes.

"Pode ser necessário alterar um comportamento --como o da visita regular ao shopping-- para se ajustar a uma nova estrutura de gasto financeiro. Tenha a flexibilidade de adaptar-se a possíveis mudanças de vida", fala Agostinho Celso Pascalicchio. 

"O segredo? Planeje muito bem. Inclua no seu planejamento o prazer, se não vai se cansar e acaba fugindo do plano. Mas tudo tem que caber no seu bolso, não no crédito rotativo do seu cartão de crédito", diz William Eid. 

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