SP amplia funcionamento de comércios para 12 horas; bares devem fechar às 20h

Medida tem como objetivo diminuir as aglomerações durante o período de compras de Natal; demanda de leitos cresce entre pessoas entre 30 e 50 anos

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
11 de dezembro de 2020 às 13:02 | Atualizado 11 de dezembro de 2020 às 13:41

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (11) a ampliação do horário de funcionamento no comércio para evitar aglomerações nas compras de Natal e tentar diminuir a disseminação do novo coronavírus. A medida foi antecipada pela colunista da CNN Thais Herédia.

Até o momento, o comércio estava autorizado a funcionar 10 horas por dia, conforme as regras da Fase Amarela do Plano São Paulo, que determina os critérios de flexibilização da economia durante a pandemia de Covid-19.

A partir deste sábado (12), estabelecimentos comerciais poderão funcionar por 12 horas. No entanto, bares deverão fechar às 20h e os restaurantes às 22h (com a venda de bebida alcoólica permitida até 20h), anunciou o secretário da Saúde de SP, Jean Gorinchteyn. Essas mudanças terão duranção de 30 dias prorrogáveis por igual período.

“Visando a diminuição das aglomerações e a própria transmissão do vírus, tomamos essa medida em concomitância do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo. Um dos pontos peculiares é o lazer noturno (...) sem cumprimento das regras sanitárias”, disse o secretário.

Assista e leia também:
O que pode e o que não pode nos principais destinos turísticos do Brasil neste fim de ano
Dimas Covas: Ministro da Saúde passou a entender a urgência da situação
Governo de SP anuncia início da produção da Coronavac no Instituto Butantan

Gorinchteyn afirmou que nas últimas três semanas houve uma mudança no perfil etário de demanda por leitos para Covid-19. Agora, o maior parte das internações está concentrada em pessoas com entre 30 e 50 anos – de março a novembro, a maior demanda estava na faixa de 55 a 75 anos.

"São exatamente esses que continuam circulando, que continuam festejando, que continuam saindo para bares e, dessa forma, se contaminam e levam para suas casas", disse.

"Observem que na faixa etária de 20 a 39 anos também não foram poupados, concentrando 40% dos casos, com 3,6% de óbitos. Portanto, jovens também podem morrer em decorrência da Covid-19", completou Gorinchteyn.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, afirmou que a ampliação do horário de funcionamento do comércio teve como objetivo "atender a necessidade de maior espaçamento entre as pessoas e evitar aglomerações para que todos tenham suas necessidades de fim de ano atendidas".

"Vimos que era muito importante realizar um ajuste na fase amarela [do Plano SP] para expansão do funcionamento do comércio de 10 para 12 horas, mas mantendo a capacidade de atendimento em 40%", explicou.

As regras para bares e restaurantes

A principal mudança nas diretrizes divulgadas pelo governo para o funcionamento de bares a partir deste sábado (12) está na redução do horário de funcionamento para até 20h.

Além disso, os estabelecimentos deverão continuar operando com apenas 40% de sua capacidade, oferencendo apenas serviço sentado em mesas com até 6 pessoas.

Governo de SP mudou horário de funcionamento de bares, que deverão fechar às 20h
Foto: Reprodução/Governo de SP

"Nessa questão do lazer noturno, que envolve bares, restaurantes, casas noturnas, festas, shows e baladas o centro de contingência detectou necessidade de medidas mais duras para que a gente possa reduzir a transmissibilidade da doença", afirmou o coordenador-executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo.

"Nessas últimas semanas percebemos que a população mais jovem está se expondo mais e, em consequência disso, está transmitindo entre si o vírus e, depois, acabam passando a doença para os mais idosos em casa, o que gera uma pressão sobre o sistema de saúde", completou.

Já no caso dos restaurantes, a principal diferença é que o funcionamento está autorizado até 22h, mas a venda de bebidas alcoólicas só será permitida até 20h para manter a isonomia com a restrição imposta aos bares.

"A partir daí, a pessoa pode fazer sua alimentação, mas não poderá mais solicitar bebida alcoólica", disse Gabbardo.

Para ambos estão mantidas demais medidas do protocolo sanitários, como aferição de temperatura na entrada do estabelecimento, disponibilização de álcool em gel e o distanciamento mínimo entre mesas.

Destaques do CNN Brasil Business:
Credit Suisse: Brasil tem pior década em 110 anos e retomada só vem com reformas
Relator desiste de apresentar PEC Emergencial em 2020 após excluir Renda Cidadã
IBGE: setor de serviços cresce 1,7% em outubro, quinta alta seguida

Restrições para lojas de conveniência

Gabbardo também explicou que a mesma regra dos restaurantes serpa aplicada para lojas de conveniência que funcionem em postos de combustívels em perímetros urbanos. 

"Todos sabemos que quando bares fecham a população mais jovem utiliza lojas de conveniência de postos de combustível para comprar bebida alcoólica e promover aglomeração em outros locais, por isso as lojas que funcionem em perímetro urbano deverão seguir as mesmas regras dos restaurantes", disse.

"Para essa população jovem, que não será contemplada num primeiro momento com a imunização, queremos focar é na redução da possibilidade da transmissão da doença."