Congelamento de óvulos: entenda o que é, quem pode fazer e quanto custa

Indica-se que o tratamento seja realizado até os 35 anos, já que os óvulos envelhecem e enfraquecem

Juliana Faddul, colaboração para o CNN Brasil Business
12 de dezembro de 2020 às 05:00
Com roupa de hospital, mulher na reta final da gravidez coloca a mão na barriga
Foto: CNN (19.ago.2020)

Mudanças na sociedade e no mercado de trabalho têm levado muitas mulheres a adiarem o sonho da maternidade. O congelamento de óvulos acaba sendo uma alternativa para quem pensa em ter um bebê, mas de forma planejada, mais para frente. É o chamado Congelamento Social. 

"Mulheres saudáveis que não desejam engravidar no momento congelam seus óvulos para preservar o maior nível de fertilidade presente nos gametas femininos mais jovens. Isso permite que a paciente possa planejar qual é o melhor momento na sua vida para conceber", explica o médico Fernando Prado,  da clínica Neo Vita de Reprodução Humana e Saúde Reprodutiva.

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Segundo levantamento do Grupo Huntington, de reprodução assistida, de julho a setembro deste ano houve um aumento de 71,4% no número de pacientes que realizaram a criopreservação –método de congelamento de óvulos. 

Para entender mais sobre o assunto, o CNN Brasil Business conversou com os médicos Cláudia Gomes Padilla, ginecologista e especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, e Fernando Prado, da clínica Neo Vita de Reprodução Humana e Saúde Reprodutiva.

O que é congelamento de óvulos? 

É um procedimento em que os óvulos da mulher são captados e colocados em nitrogênio líquido, onde são congelados e armazenados numa temperatura de 196ºC negativos. 

Apesar de o congelamento existir há mais de 30 anos, foi apenas há quinze anos que a técnica se tornou mais popular, graças à vitrificação que evita perda de óvulos congelados (que passou a ser apenas de 5%). 

É possível congelar óvulos em qualquer idade?

Sim. O congelamento é possível em qualquer idade, se houver óvulos em quantidade e qualidade. Porém, quanto mais jovem for a mulher, melhor será a qualidade dos óvulos coletados e maiores as chances de uma gravidez no futuro. 

Indica-se que o tratamento seja realizado até os 35 anos, já que os óvulos envelhecem e enfraquecem.

Para se ter uma noção de comparação, estima-se que, ao nascer, a mulher tenha por volta de 7 milhões de óvulos, valor que se reduz aos 500 mil quando ocorre a primeira menstruação, e que chega a menos de 25 mil aos 42 anos. 

Há também a influência de fatores externos que os enfraquece, como poluição, radiação, medicações e outros. 

Como são os procedimentos de congelamento de óvulos? 

O primeiro passo é realizar uma bateria de exames para saber se não há nenhuma contraindicação ao uso de hormônios. Eles são necessários para impulsionar os ovários a produzirem todos os óvulos que seriam descartados naturalmente pelo corpo.

Esses hormônios começam a ser tomados no terceiro dia de menstruação e têm de ser ingeridos por dez dias. 

Por volta do 12º dia de estimulação ovariana, é feita a coleta de óvulos. A coleta é realizada por meio de uma punção transvaginal guiada por ultrassom com a paciente sedada. Apesar da sedação, não é uma cirurgia, apenas um procedimento que dura em média 20 minutos. 

Depois de coletados, os óvulos passam por uma seleção para que sejam congelados apenas os maduros e de boa qualidade morfológica.

Após o processo, os óvulos são armazenados na incubadora para finalizar a maturação, que dura cerca de duas horas. 

Em seguida, são adicionadas substâncias para que eles sejam vitrificados. Esta etapa não dura mais do que 15 minutos e são congelados em nitrogênio líquido a -196ºC.

Assim que a mulher decidir engravidar, os óvulos são descongelados, fertilizados em laboratório, e os embriões formados transferidos para o útero –a taxa de sobrevivência ao descongelamento pode variar de 85% a 95%. 

Quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

Em torno de 15 anos. 

Há garantia de engravidar? 

Não. E é aí que entra o fator idade. Uma mulher que congelou os óvulos antes dos 35 anos e que puderam produzir três blastocistos tem uma chance de concepção bem alta, acima de 80%. Agora, uma paciente que tem o mesmo número de blastocistos, mas congelou seus óvulos após os 40 anos, tem chances mais baixas, de cerca de 45%. Por isso, o ideal é congelar os óvulos o mais cedo possível. 

Para quem o congelamento de óvulos é indicado? 

O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que não podem, ou não desejam, uma gravidez no momento atual ou em um futuro próximo. 

Uma outra situação é para pacientes em tratamento de câncer. A radioterapia e a quimioterapia podem prejudicar a reserva ovariana e a fertilidade futura da mulher. Em alguns casos, após a quimioterapia, a paciente pode evoluir para um quadro de menopausa precoce. 

O congelamento também está indicado para pacientes que precisam remover os ovários por doenças benignas, como cistos de endometriose, ou que serão submetidas a tratamentos de doenças autoimunes que possam comprometer a reserva ovariana. 

Quanto custa todo o procedimento?

O custo varia bastante de clínica para clínica, mas todo o procedimento (estimulação + coleta + congelamento) costuma custar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, além do valor de manutenção dos óvulos congelados, que tem uma mensalidade em torno de R$ 1.000 por ano. 

Pacientes que estão passando por tratamento oncológico, dependendo, podem ter cobertura gratuita do congelamento pelo SUS. 

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