Ação da Ambev pode recuperar 15% em 2021, mas ressaca da pandemia continuará

Empresa consegue se reinventar na pandemia com serviços diferentes, como o Zé Delivery, mas o setor como um todo deve ainda sofrer com os efeitos da Covid-19

André Jankavski e Wesley Santana, do CNN Brasil Business, em São Paulo
16 de dezembro de 2020 às 05:00
Foto: Reuters/Paulo Whitaker

A Ambev (ABEV3), maior fabricante de cervejas do país, sempre foi considerada uma das queridinhas da bolsa. Empresa sólida e com bons resultados financeiros, a companhia também aliava isso a alta no valor das ações e em bons dividendos.

Mas o ano de 2020 está complicado para a companhia. Desde janeiro, os papéis da companhia perderam quase 16,3% no valor. Enquanto isso, o Ibovespa acaba de recuperar as perdas de 2020.

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Mas as coisas devem mudar, pelo menos segundo relatório banco Itaú. A Ambev, apesar de ter sofrido assim como o setor como um todo, passa por uma “revolução silenciosa”, o que deve fazer com o que o preço da ação chega a R$ 18 ao fim de 2021. Isso representa uma alta de 15,6% em relação ao preço atual.

“Acreditamos que a gestão está focada em preparar a empresa para as mudanças estruturais em curso na indústria cervejeira”, diz o relatório.

Um dos pontos de maior atenção apontados pelo banco é o avanço do Zé Delivery, o aplicativo de entregas de bebida gelada da Ambev. O negócio deu saltos vultosos neste ano. O aplicativo registrou 5,5 milhões de pedidos no trimestre–mais de 3,6 vezes do total registrado em todo 2019.

Se chegar aos R$ 18 até o fim de 2021, a Ambev estaria próxima de recuperar o valor de mercado conquistado em dezembro do ano passado. A companhia encerrou o ano de 2019 valendo R$ 18,67. Assim como todo o setor, sofreu com a pandemia. 

Ressaca da pandemia

Segundo o Itaú, um conjunto de situações desfavoráveis devem fazer de 2021 um ano bastante desafiador para a indústria de bebidas no Brasil. Além de um provável aumento no índice de desemprego, o término do auxílio emergencial são fatores indicativos desse problema, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

No entanto, o estudo destaca que, diferente de 2020, quando todos foram pegos de surpresa com a pandemia, agora o mercado, as empresas e os investidores sabem da possibilidade de um ano ruim, portanto, podem planejar estratégias para se adequar ou até melhorar a expectativa.

Um dos pontos que o Itaú destaca é o avanço da companhia na criação de portfólio. Nos últimos meses, a companhia criou uma série de novos produtos e serviços para conseguir superar a queda nas vendas.

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“A Ambev tem inovado em várias frentes com a Draft Line (agência de conteúdo), o Zé Delivery (plataforma B2C), a BEES's (plataforma B2B) e a e Menu.com, uma startup que tem recebido investimento para competir com os canais de atacado cada vez mais populares”, escrevem os analistas.

Outra atitude da empresa foi optar por fortes cortes de custos, encerrando o patrocínio do futebol, em novembro, que vigorava há décadas na TV. A marca justificou dizendo que, no lugar de inserções publicitárias impessoais, poderia criar ativações em ações mais direcionadas, como em lives.

Pensando nas gerações Y e Z

Conforme apontou uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as novas gerações estão mudando o hábito de consumo padrão do brasileiro e passando a ficar mais em casa.

Isso representa outro desafio para a indústria de bebidas, justamente porque passou anos amparada em um comportamento que passava pelos bares e restaurantes, principalmente no Sudeste, onde o consumo desses produtos era maior.

Assim, uma alternativa encontrada pela Ambev foi a criação do já citado Zé Delivery, que, segundo o banco, é mais que um serviço de entregas, pois oferece uma visão muito específica do consumidor, tendo em vista que cada cliente está cadastrado na plataforma.

“A Ambev ganha uma visão ao vivo e em primeira mão de como as preferências do consumidor estão evoluindo em diferentes locais e faixas etárias, entre outras variáveis. Conforme a base de usuários do aplicativo cresce, a empresa deve ser capaz de coletar informações e percepções valiosas, que devem auxiliá-la em seu planejamento estratégico, colocação de produtos e identificação de novas tendências”, afirma.

E pensar nas gerações mais novas faz sentido. Segundo o relatório, os millenials (nascidos na década de 90) já representam 34% da população e 50% da força de trabalho – o que deve crescer para 70% até 2030. Entendê-los a partir de agora pode ser um grande diferencial lá na frente para a maior cervejaria do Brasil.

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