Atraso de vacinas pode impactar economia no curto prazo, diz Campos Neto 

"Se houver um atraso de vacinação que implique em mobilidade menor porque o número de casos está alto, obviamente vai ter impacto na atividade econômica", disse

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
17 de dezembro de 2020 às 12:52 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 13:35
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (19.dez.2019)
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que um possível atraso na vacinação da população brasileira contra a Covid-19, que implique em uma redução da mobilidade e aumento do distanciamento social, teria impacto no crescimento econômico do curto prazo, bem como na política monetária da autarquia. 

"Se houver um atraso de vacinação que implique em mobilidade menor porque o número de casos está alto, obviamente vai ter impacto na atividade econômica e em variáveis que usamos como variáveis chave para tomada de decisões", disse durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17).

Leia também:
Governo prevê salário mínimo de R$ 1.088, mas valor pode ter que ser maior
Projeção do BC para o PIB em 2020 passa de queda de 5% para recuo de 4,4%

Ele observou que em alguns países que já sofrem com a segunda onda, já há uma revisão, "ainda de forma muito embrionária", de crescimento para baixo. 

Campos Neto ponderou, no entanto, que, hoje, nada indica que haverá um atraso nas vacinas. "O governo tem um plano, vemos que outros países estão anunciado planos e logística agora. Acho que temos que esperar um pouco para ver o resultado do que está sendo feito, como que a logística vai avançar e qual vai ser a reação da população uma vez que a vacina estiver em curso", completou. 

Na avaliação dele, globalmente, o mercado financeiro já está precificando o avanço das vacinas ao em vez da manutenção dos programas emergenciais fiscais. Por isso, o investimento em vacinas seria mais barato para o Brasil do que uma eventual prorrogação do auxílio emergencial, por exemplo. 

"A gente vê que o mercado parou de precificar os anúncios fiscais e passou a seguir as perspectivas de vacina e logística. Isso significa que o mercado deixou de olhar uma solução temporária e começou a enxergar uma solução definitiva. É mais eficiente gerar condições de emprego para que as pessoas possam trabalhar do que ajudar as pessoas que não podem sair de casa, não podem trabalhar", explicou.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook