Milhões de desempregados perdem benefício enquanto Trump não sanciona pacote

Milhões de desempregados americanos viram benefícios expirarem neste sábado, enquanto Donald Trump se recusa a sancionar pacote de socorro em meio à pandemia

Por Steve Holland e Richard Cowan, da Reuters
26 de dezembro de 2020 às 03:21 | Atualizado 26 de dezembro de 2020 às 03:23
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Foto: REUTERS


Milhões de desempregados americanos viram seus benefícios expirarem neste sábado (26), depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, se recusou a sancionar um pacote de ajuda e gastos para a pandemia de US$ 2,3 trilhões, alegando que não ajudava as pessoas comuns.

Trump surpreendeu tanto republicanos quanto democratas quando disse nesta semana que estava insatisfeito com o enorme projeto de lei, que fornece US$ 892 bilhões para ações contra impactos da pandemia de Covid-19, incluindo o prolongamento de benefícios especiais a desempregados que expiram em 26 de dezembro, e US$ 1,4 trilhão para gastos normais do governo.

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Sem a assinatura de Trump, cerca de 14 milhões de pessoas podem perder esses benefícios extras, de acordo com dados do Departamento de Trabalho. Uma paralisação parcial do governo começará na terça-feira, a menos que o Congresso chegue a um acordo sobre um projeto provisório de financiamento governamental antes disso.

Depois de meses de disputa, republicanos e democratas concordaram com o pacote na semana passada, com o apoio da Casa Branca. Trump, que entrega o poder ao presidente eleito democrata Joe Biden em 20 de janeiro, não se opôs aos termos do acordo antes que o Congresso o aprovasse na noite de segunda-feira.

Mas, desde então, o presidente se queixou de que o projeto de lei dá muito dinheiro para interesses especiais, projetos culturais e ajuda estrangeira, enquanto seus cheques de estímulo de US$ 600 para milhões de americanos em dificuldades eram muito pequenos. O republicano exigiu que o valor fosse aumentado para US$ 2.000.

"Por que os políticos não querem dar às pessoas US$ 2.000, em vez de apenas US$ 600? Dê o dinheiro ao nosso povo!" o presidente tuitou no dia de Natal, em dia no qual foi fotografado jogando golfe em seu resort em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida.

Muitos economistas concordam que a ajuda do projeto de lei é muito baixa, mas dizem que o apoio imediato ainda é bem-vindo e necessário.

Uma fonte próxima do caso disse que a objeção de Trump ao projeto pegou muitos funcionários da Casa Branca de surpresa. Embora a estratégia do presidente para o projeto ainda não esteja clara, ele não o vetou e ainda pode assiná-lo nos próximos dias.

No sábado, Trump deve permanecer em Mar-a-Lago, para onde o projeto foi encaminhado e aguarda decisão.

Biden, cuja vitória eleitoral em 3 de novembro Trump se recusa a reconhecer, passou o Natal em Delaware, seu estado natal, e não tinha eventos públicos programados para sábado.