Corinthians, Cruzeiro e Botafogo: os clubes de futebol que mais devem no Brasil

Dívida dos clubes brasileiros representa 39,8% de seu valor de mercado. Somados, os times devem R$ 10 bilhões

Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
10 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 11 de janeiro de 2021 às 13:00

 

Se você quer um bom exemplo de gestão e austeridade, não olhe para os clubes de futebol brasileiros. As maiores agremiações do esporte são conhecidas por gastar muito com aquisição de jogadores e manter folhas salariais nada enxutas, enquanto devem milhões ao governo em impostos. 

Um levantamento da consultoria Sports Value deu números a esta fama e mostrou que a dívida dos clubes brasileiros representa 39,8% de seu valor de mercado. Somados, os times devem R$ 10 bilhões –são R$ 3 bilhões apenas em impostos devidos ao governo federal.

O levantamento leva em consideração as informações que os clubes colocam em seus balanços. Os números são do fechamento de 2019. 

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Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro


 

Corinthians lidera ranking

O time que lidera a lista de devedores é o Corinthians, que não registra em seu balanço a dívida com a Caixa Econômica Federal pelo financiamento da Neo Quimica Arena –a venda dos naming rights vai ajudar o clube a abater essa dívida. As dívidas do clube paulista superam R$ 550 milhões. O alvinegro deve R$ 569 milhões para a Caixa. 

O segundo clube mais endividado do Brasil é o Cruzeiro, que tem a pior relação dívida x valor de mercado. A dívida da Raposa é de R$ 538 milhões, enquanto a consultoria Sports Value avalia que o time vale R$ 837 milhões –contando valor de marca, ativos, jogadores e direitos esportivos. 

Situação deve piorar com pandemia

Amir Somoggi, sócio diretor da Sports Value e responsável pelo levantamento, avalia que as dívidas devem ficar ainda maiores quando comparadas ao valor de mercado dos clubes por causa da pandemia de Covid-19, que paralisou campeonatos e impediu a ida de torcedores aos estádios.

“O valor de mercado deve cair cerca de 25% à medida que o valor das marcas cai e o preço de ativos, como estádios e centros de treinamento, não crescem tanto”, afirma. 

Ele afirma que as receitas nunca foram tão altas e que "esta é uma fotografia do melhor momento do nosso futebol, e a tendência é de redução nos próximos anos".