Pandemia evidencia 4 tipos de liderança e aceleração na tomada de decisões

Estudo aborda percepção do alto escalão em relação aos desafios criados pela crise do coronavírus

Anna Gabriela Costa, colaboração para CNN Business
11 de janeiro de 2021 às 14:32 | Atualizado 11 de janeiro de 2021 às 15:33
Líder / liderança
Foto: Iryna Tysiak / Unsplash

Dois em cada três líderes estão acelerando a tomada de decisões devido a atual crise sanitária e econômica, gerada pela pandemia de coronavírus, releva estudo conduzido pela Page Group em parceria com o Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral.

A pesquisa também exibe os quatro perfis de liderança que destacam-se na pandemia: o cético, o autocentrado, o confiante e o orientado a pessoas.

Líder global em recrutamento executivo, a Page Group ressalta no estudo que 40% dos líderes estão acelerando a tomada de decisões a níveis muito mais rápidos, 30% um pouco mais rápidos, 13% não
notaram mudança significativa, 13% notaram decisões um pouco mais devagar e 4% muito mais devagar.

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A pesquisa denominada “Realidade e percepções da alta liderança frente à crise” foi realizada em setembro e outubro de 2020, contando com a participação de 230 executivos que ocupam cargos de CEO, vice-presidente, diretor, superintendente e outras posições do c-level (alto escalão) em todo o Brasil.

Para o diretor geral da Page Executive, Ricardo Basaglia, é importante que líderes possuam uma resposta rápida, considerando os cenários diversificados do mercado. “São decisões acerca do negócio, da continuidade das operações e da gestão de pessoas. Ainda que o planejamento possa ser alterado, a maioria dos líderes concorda que é preciso ter uma resposta rápida considerando cenários diferentes.

Uma vez tomada a decisão, é importante atualizar a empresa e qualificar os colaboradores para os próximos passos”, explica Basaglia. O levantamento procurou saber como a crise está influenciando a relação do líder com os demais integrantes da diretoria e do C-level.

Os dados mostram que a maior parte dos líderes (65%) está se aproximando e trabalhando com mais sinergia. Para 23%, a relação não foi afetada. Já para 7%, há mais distanciamento porque as áreas estão demandando mais atenção, enquanto 5% apontam divergências no modo de enfrentar a crise como consequência do distanciamento.

Segundo aponta o estudo, com as decisões mais aceleradas, grande parte dos executivos percebeu que houve mais descentralização das decisões estratégicas da companhia. A maioria (32%) observou que essas medidas ficaram menos centralizadas e envolveram a participação de outros integrantes da alta liderança.

Uma outra parcela, de 7%, notou descentralização e participação de executivos de outros níveis hierárquicos. Há também um percentual significativo de líderes (37%) notando um movimento contrário, de um pouco mais de centralização das decisões estratégicas e outro, de 10%, indicando resoluções muito
mais centralizadas no líder. Aqueles que não notaram mudança significativa somaram 24%.

Os dados obtidos neste estudo foram coletados por meio de formulário de pesquisa e entrevistas individuais com líderes de empresas de pequeno, médio e grande porte de diversos setores da economia.

De acordo com a consultoria, o levantamento visa evidenciar as perspectivas para 2021, os efeitos da crise e as tomadas de decisão da alta liderança no país.

Habilidades priorizadas por líderes

Questionados sobre a mudança de seu papel em função da crise, 29% dos entrevistados informaram que estão dando maior ênfase em habilidades estratégicas. Já 22% decidiram ter um foco em gestão de
pessoas e soft skills (habilidades comportamentais).

Priorizar questões financeiras foi a opção de 14%. Mudanças na estrutura organizacional e meu papel não está sofrendo mudanças foram percepções de 10%, cada. Maior ênfase em habilidades criativas representaram 6% das respostas enquanto 5% notaram mais atenção em habilidades tecnológicas e 3% reportaram maior autonomia das tarefas.

Questões internas

Além da mudança do papel do líder, outras questões internas têm tomado a agenda dos executivos durante a pandemia. Entre as que demandam mais atenção, aparecem: redução de custos (48%), gerenciamento de capital humano (42%), criação de novos modelos de negócio (39%), relacionamento com clientes (39%), volatilidade no fluxo de caixa (29%), lançamento/ adaptação de produtos e serviços
(26%), atração e retenção de talentos (18%), mudanças nas relações laborais (13%) e outras.

Os líderes também foram questionados sobre quais seriam suas maiores preocupações em relação ao gerenciamento de risco no atual cenário. Entre as prioridades listadas, aparecem na ordem: manter funcionários seguros e empregados, liquidez de curto prazo, vulnerabilidade dos clientes, previsões de recessão econômica, gestão da cadeia de suprimentos, fornecer uma rede de segurança para os funcionários e dependência das ações dos governos federal e estadual.

Quatro perfis de liderança

O estudo identificou quatro perfis de liderança com base na atitude do profissional diante da crise e no meio em que está inserido. São eles: o cético, o orientado a pessoas, o autocentrado e o confiante.

O estilo de liderança que o líder expressa pode ser situacional, influenciado pela cultura da empresa e não exclusivamente da sua natureza, aponta a pesquisa. Um mesmo líder pode navegar por mais de um perfil. Cada perfil predominante tem mais facilidade em determinados ambientes, mas não exclui sua capacidade de adaptação. Também não se faz uma comparação de certo ou errado, qual é melhor ou pior, mas sim o mais adequado para cada situação e cultura organizacional.

“O que tudo isso significa para os executivos e a liderança de hoje? Certamente que contexto importa e precisa ser entendido com mais detalhes porque nem todos reagimos de maneira uniforme aos desafios colocados. Líderes bem-sucedidos têm inteligência contextual além das conhecidas inteligências cognitivas e emocionais”, afirma Paul Ferreira, diretor do Centro de liderança da Fundação Dom Cabral.

O cético

• Espera recuperação da atividade econômica a partir de 2023
• Preocupa-se com a incerteza pela procura de seus produtos ou serviços
• Tem tendência a centralizar a tomada de decisão com intuito de ganhar agilidade
• Palavras-chave: crise, aprendizado, adaptação, decisão, criatividade e importância

O orientado a pessoas

• Segurança e produtividade são suas maiores preocupações
•Foco em gestão de pessoas e soft skills
•Implantou medidas e benefícios visando o bem-estar dos colaboradores
• Palavras-chave: manter, crise, empresa, adaptabilidade, aprendizado, decisão, empatia, resiliência.

O autocentrado

• Tomada de decisão antes do cenário de crise já era mais centralizada
• Acredita que é normal a flexibilidade diminuir um pouco em tempos incertos
• Trabalha em uma empresa pequena ou média de até 200 colaboradores
• Palavras-chave: flexibilidade, crise, assertividade, foco, eficiência, negócios

O confiante

• Atua em parceria com fornecedores para cuidar da cadeia como um todo
• Enxerga oportunidades, abrindo espaço para inovação
• Incentiva uma gestão menos centralizada
• Palavras-chave: crise, mudanças, possível, resiliência, agilidade, decisões, oportunidades