Governo quer leiloar Dutra e mais 50 projetos este ano para atrair investimentos

Em entrevista ao jornal espanhol Expansión, o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que a meta é captar R$ 260 bilhões até 2022

Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
12 de janeiro de 2021 às 16:40
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em entrevista à CNN
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em entrevista à CNN
Foto: CNN (30.set.2020) 

O governo federal deve abrir licitação para mais de 50 projetos só em 2021 e captar R$ 260 bilhões em investimentos privados para o setor de transportes até 2022, disse o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ao jornal espanhol Expansión.

"Neste ano, faremos o maior leilão de aeroportos da história do país, com a negociação de 22 bases. Também faremos o maior leilão de uma rodovia do Brasil, com a Via Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, e devemos realizar também a licitação de duas ferrovias estratégicas para o agronegócio", disse o ministro.

Entre os ativos que devem entrar nessa extensa lista de licitações, Freitas lembrou do "ambicioso" projeto do Ferrogrão, que deve escoar a produção do interior para o Norte do Brasil com fins de exportação. 

"Vamos conectar o estado de Mato Grosso com os portos fluviais do Pará, criando uma opção de saída que vai competir diretamente com o resto dos portos do Sul e Sudeste do Brasil. Os investimentos estimados nesse programa são de R$ 21,5 milhões."

Para a BR-116, a chamada "Nova Dutra, que terá 402 quilômetros e extensão e ligará as duas maiores regiões metropolitanas do país —São Paulo e Rio de Janeiro—, a previsão de investimentos é da ordem de R$ 15 milhões.

De acordo com o ministro, a competição pelos projetos deve ser grande. "A robusta carteira de ativos disponíveis é uma das melhores oportunidades do mundo para os investidores, pois são projetos de longo prazo, com taxas de retorno acima dos 11% e com mitigação de risco."

Projetos andando durante a pandemia

Sobre projetos que já tiveram andamento em 2020, Freitas diz que foram concedidos 12 grandes ativos de infraestrutura, entre licitações e renovações antecipadas, o que totaliza um fundo de R$ 30 milhões em investimentos privados. "Isso equivale a triplicar o orçamento anual da ministério", afirma.

"Desde o início da pandemia, recebemos a missão imediata de garantir que a logística continuasse funcionando e que não faltasse alimentos, medicamentos ou matérias-primas em nenhuma das regiões do Brasil, o que foi um grande desafio, considerando o tamanho e as complexidade do nosso território", disse Freitas na entrevista.

"Não paramos nenhuma obra, o que tem contribuído para a manutenção dos empregos e melhoria da logística nacional." Freitas criticou o posicionamento estratégico de governos anteiores e disse que o capital privado é a principal saída para movimentar a economia num momento fiscal delicado como esse.

"O Brasil é um país que nas últimas décadas investiu muito pouco em infraestrutura de transporte. Portanto, temos um grande déficit do qual recuperar. No entanto, os recursos públicos são escassos, pois o governo está empenhado em manter o equilíbrio fiscal e reduzir a dívida pública."

"Nesse contexto, o orçamento destinado ao Ministério da Infraestrutura é de R$ 8,6 bilhões, o que corresponde a um dos níveis mais baixos dos últimos anos. Portanto, nossa grande perspectiva de expansão e modernização da infraestrutura está em nosso Programa de Concessões. Temos todas as condições para atrair investidores", conclui.