Macron associa soja do Brasil a desmatamento da Amazônia, e produtores reagem

No Twitter, presidente francês afirmou que "continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia"

Luciano Costa e Nayara Figueiredo, da Reuters
12 de janeiro de 2021 às 21:04 | Atualizado 13 de janeiro de 2021 às 09:29

 

O presidente da França, Emmanuel Macron, associou nesta terça-feira a soja do Brasil ao desmatamento da floresta amazônica e defendeu a produção da oleaginosa no continente europeu como alternativa.

Em publicação no Twitter, ele afirmou que "continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia".

"Somos consistentes com as nossas ambições ecológicas, lutamos para produzir soja na Europa!", escreveu ele na rede social.

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu as críticas de presidente francês afirmando que, "como bem sabe Macron", a soja produzida no bioma amazônico do Brasil é livre de desmatamento desde 2008, graças à Moratória da Soja.

Além disso, a entidade ainda disse que as declarações do presidente foram utilizadas como justificativa para os subsídios ofertados aos produtores franceses.

 

O presidente da França, Emmanuel Macron
O presidente da França, Emmanuel Macron (15.mar.2020)
Foto: Pascal Rossignol/Pool/Reuters


"A Abiove lamenta que o presidente da França, Emmanuel Macron, busque justificar sua decisão de subsidiar os agricultores franceses atacando a soja brasileira", afirmou.

Os comentários de Macron vêm em momento em que o governo francês tem feito oposição à atual versão de um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, citando preocupações com o desmatamento.

Em dezembro, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse que a França é "o grande problema" para um avanço no acordo entre Mercosul e europeus. Ele também disse que os franceses são concorrentes do país no setor de commodities.

Em 2020, a França comprou 83.458 toneladas em soja do Brasil, abaixo de países europeus como a Espanha (2,8 milhões de toneladas), segundo informações do sistema Agrostat, compiladas pelo Ministério da Agricultura. A China, principal compradora, adquiriu 60,6 milhões de toneladas.