Reino Unido multará empresas que ocultarem conexões com Xinjiang, na China


Sharon Braithwaite e Lindsay Isaac, do CNN Business, em Londres
14 de janeiro de 2021 às 05:00
Bandeiras do Reino Unido e União Europeia no lado externo do parlamento
Foto: Simon Dawson/Reuters

O governo britânico multará empresas que ocultam conexões com a região de Xinjiang, na China, onde uigures e outras minorias estão supostamente sujeitos a trabalhos forçados, sob uma série de novas medidas.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, anunciou na terça-feira (12) as novas medidas, que, segundo o Ministério das Relações Exteriores, visam garantir que todas as organizações britânicas “não sejam cúmplices, nem lucrem com as violações dos direitos humanos em Xinjiang”.

O governo do Reino Unido também analisará quais produtos britânicos podem ser exportados para Xinjiang e emitirá novas orientações “estabelecendo os riscos específicos enfrentados pelas empresas com vínculos com Xinjiang, destacando os desafios de uma devida diligência efetiva lá”.

O Departamento de Estado dos EUA estima que até dois milhões de uigures, assim como membros de outros grupos minoritários muçulmanos, foram detidos em uma ampla rede de campos de internação em Xinjiang.

O governo chinês há muito defende a repressão em Xinjiang como necessária para enfrentar o extremismo e o terrorismo, e afirma que suas instalações são “centros de treinamento” voluntários onde as pessoas aprendem habilidades vocacionais, língua chinesa e leis.

“As evidências da escala e gravidade das violações dos direitos humanos perpetradas em Xinjiang contra os muçulmanos uigures têm agora longo alcance”, disse Raab a membros do parlamento. Ele disse que as novas medidas têm como objetivo “enviar uma mensagem clara de que essas violações dos direitos humanos são inaceitáveis e proteger as empresas e órgãos públicos do Reino Unido de qualquer envolvimento ou vínculo com eles”. 

Raab também pede que as Nações Unidas tenham acesso à região de Xinjiang para verificar as alegações de trabalho forçado e outras violações dos direitos humanos.

O governo dos EUA tomou suas próprias medidas para reduzir as importações de Xinjiang. No mês passado, o governo Trump anunciou que bloquearia as importações de algodão de lá, a última restrição relacionada à região.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).