Nem só Musk ou acionistas: veja quem também ganha com a alta das ações da Tesla

Os traders que apostam em mineradoras de lítio e fabricantes de baterias também estão se beneficiando do sucesso da empresa

Paul R. La Monica, CNN Business. em Nova York
17 de janeiro de 2021 às 05:00
Carros elétricos sendo abastecidos
Foto: REUTERS/Fabrizio Bensch

A incrível alta do mercado das ações da Tesla não está apenas fazendo Elon Musk e os investidores da Tesla mais ricos.

Os traders que apostam em mineradoras de lítio e fabricantes de baterias também estão se beneficiando do sucesso da empresa. O lítio é um componente crucial para baterias em carros elétricos. O ETF Global X Lithium & Battery Tech (LIT), um fundo que possui ações da Tesla (TSLA) e outras empresas no negócio de baterias elétricas, subiu 15% em 2021 e aumentou mais de 65% apenas nos últimos três meses.

“Não dá para ter carros elétricos sem baterias e não dá para baterias sem lítio”, afirmou Keith Phillips, CEO da Piedmont Lithium (PLL), um mineradora de lítio cujas ações aumentaram quase 35% até agora em 2021.

 

Embora as baterias de carros elétricos tenham outros metais que podem ser intercambiáveis, como níquel, cobalto e manganês, “será sempre necessária a mesma quantidade de lítio”, disse Philips à CNN Business.

Componente-chave

O lítio é o metal mais leve do universo e também possui alta densidade de energia, o que significa que é capaz de armazenar mais energia, algo fundamental para uma bateria elétrica. “Nada pode fazer o que o lítio faz no carregamento portátil”, afirmou Phillips.

A crescente demanda global por carros elétricos está ajudando as empresas que exploram e produzem lítio, bem como os fabricantes de baterias de íon-lítio necessárias para carros e caminhões feitos pela Tesla e seus rivais.

“Ainda há uma grande oportunidade para empresas em toda a cadeia de suprimentos de veículos elétricos. Os investidores precisam pensar mais sobre isso e não apenas na Tesla. A penetração dos veículos elétricos pode chegar a 50% do mercado automotivo até 2030”, relatou Pedro Palandrani, analista de tecnologia disruptiva da Global X.

As ações da empresa norte-americana de especialidades químicas Albemarle (ALVA), que possui instalações de produção de lítio em Nevada e é o principal papel do ETF do lítio, aumentaram quase 25%
somente este ano e quase dobraram nos últimos três meses.

Albemarle disse na semana passada que planeja investir de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões (entre R$ 158 e R$ 263 milhões, aproximadamente) para dobrar a produção atual em Silver Peak, Nevada, até 2025. As principais minas de lítio do mundo estão na Austrália, Chile e Argentina. Assim, as montadoras dos EUA estão procurando mais fontes locais do metal.

“Conforme a demanda global por veículos elétricos cresce, as montadoras norte-americanas estão buscando regionalizar sua cadeia de suprimentos para maior segurança e sustentabilidade”, disse Albemarle em um press release.

Veículos comerciais

A eletrificação da indústria automotiva não é apenas para carros de consumo e SUVs. Pode haver uma oportunidade ainda maior no fornecimento de baterias de íon de lítio para grandes indústrias que fazem caminhões para frotas corporativas, de acordo com Lionel Selwood, Jr., CEO da Romeo Power.

A Romeo Power fabrica baterias para veículos comerciais. Ela abriu o capital no final do ano passado por meio de uma fusão com uma empresa de aquisição de propósito específico e as ações dobraram desde que o negócio foi anunciado em outubro.

Selwood disse que não tem interesse em entrar no negócio mais competitivo de fabricação de baterias para veículos de consumo, mas disse que a crescente demanda por carros elétricos (graças a empresas como a Tesla) está ajudando sua empresa porque torna mais barato produzir baterias de íon-lítio.

“Estamos construindo um negócio para clientes comerciais para que possamos obter contratos maiores”, disse Selwood à CNN Business. “Estamos pegando carona na demanda global do consumidor por veículos elétricos, já que isso reduz os preços para a fabricação de baterias”.

Palandrani, da Global X, disse à CNN Business que a Tesla merece muito crédito por ajudar a tornar o negócio de carros elétricos popular tanto para consumidores quanto para investidores. Com isso em mente, sua empresa também administra o ETF Global X Autonomous & Electric Vehicles (DRIV), que conta com Tesla como sua posição superior.

Mas ele acrescentou que os investidores não podem ignorar as outras empresas do setor que estão se beneficiando da tendência, especialmente na China. Sendo assim, o ETF de lítio também possui o fabricante de carros elétricos BYD, o fabricante de baterias CATL e a mineradora Ganfeng.

“Estamos falando sobre a disrupção no transporte", disse Palandrani. “Seria míope pensar que a Tesla é a única empresa importante do setor”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).