Chinesa realme quer ser top 5 em celular no Brasil – e planeja até fábrica aqui

Empresa deve lançar ainda em 2021 pelo menos 12 smartphones e outros 20 produtos AIoT (inteligência artificial das coisas) no Brasil

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de janeiro de 2021 às 05:00 | Atualizado 18 de janeiro de 2021 às 07:31
Sherry Dong, realme
Sherry Dong, diretora de Marketing da realme
Foto: realme/Divulgação

O mercado de tecnologia brasileiro acaba de ganhar mais uma empresa estilo "canivete suíço", daquelas que fazem de tudo um pouco. É claro que o foco da chinesa realme, que desembarcou por aqui em janeiro em parceria com a B2W, são os smartphones. Os planos da empresa, todavia, parecem ser maiores do que isso.

A companhia trouxe inicialmente os smartphones realme 7 e 7 Pro, o relógio realme Watch S e os fones realme Buds Q. Mas, segundo Sherry Dong, diretora de marketing da marca, a empresa deve lançar ainda em 2021 ao menos 12 smartphones e outros 20 produtos AIoT (de inteligência artificial das coisas) no Brasil.

Sem revelar quais serão estes itens, promete reforçar os segmentos de áudio, wearables (itens tecnológios para vestir) e casa. Vale lembrar que, lá fora, a realme vende desde televisões 4K até mochilas, passando por escova de dente elétrica e câmera de segurança inteligente. Em termos de celulares, as novidades podem começar já no próximo trimestre. 

"Trouxemos a linha 7 primeiro porque representa a imagem que a realme quer passar, e está numa faixa de preço que está crescendo muito no Brasil, entre os R$ 2 mil e os R$ 3 mil", diz Dong ao CNN Brasil Business. "A ideia é mostrar que temos design e tecnologia, mas com preços acessíveis."

Para isso, os dois principais pontos explorados pela marca em relação ao realme 7, além do preço, são: a qualidade das suas câmeras e a velocidade de carregamento do aparelho — seu sistema de carregamento promete encher a bateria do telefone em 33 minutos e suas câmeras são otimizadas para permitir boas fotos noturnas.

"Mas temos muitos segmentos diferentes, com faixas distintas de preço, que poderemos levar ao Brasil."

Olhando o portfólio da empresa na Índia, é possível colher algumas dicas. As séries 3 e 5, por exemplo, têm celulares mais simples, de entrada, que poderiam abocanhar outra fatia do mercado brasileiro. Na outra ponta, há o modelo X50 Pro, já compatível com 5G e processamento superior.

Fábrica no Brasil em até cinco anos, mas sem lojas

A empresa parece demonstrar otimismo com o mercado brasileiro, nas ações e no discurso. "Sabemos que temos competidores na região, mas queremos estar entre os cinco maiores players do mercado em até três anos", diz. Segundo dados do Statcounter, a Samsung liderava o mercado em 2020, com 45,1% do mercado, seguida por Motorola (21,9%), Apple (13,6%), Xiaomi (7,1%), LG (6,5%) e Asus (2,5%).

Além de conquistar o protagonismo no Brasil, a marca espera que o país se torne uma fatia importante dos números da empresa. "Para nós, o mercado brasileiro pode ser tão grande e importante quanto o da Indonésia, que é nossa terceira maior praça", diz Dong. 

O plano inicial é trazer produtos das quatro fábricas asiáticas da marca (China, Índia, Bangladesh e Indonésia) e se consolidar no e-commerce. Mas, no médio prazo, espera também conseguir estabelecer raízes mais firmes aqui. "Queremos, em até cinco anos, construir uma fábrica no Brasil e avançar na América Latina."

A diretora está ciente de que o país tem problemas em termos logísticos, mas, para Dong, o grande desafio da marca é atrair tantos consumidores quanto espera. Ela acredita que a penetração do e-commerce no país deve continuar crescendo, e este será o caminho mais efetivo para realizar a venda dos produtos. Ou seja, nada de loja física — ao menos, por enquanto.

Avanço da marca pela Ásia e Europa

Inicialmente uma subsidiária da Oppo, a realme foi emancipada em maio de 2018 por Sky Li e não demorou a crescer na Ásia. Começou pela Índia, onde já tem o terceiro maior mercado; avançou pelo sudeste do continente, conquistando a liderança no mercado filipino; e também já abocanhou 13% do mercado chinês.

Começou, então, um movimento de expansão para o Ocidente, chegando à Europa, pela Espanha e Polônia, no ano passado. Agora, em 2021, a companhia mira o Brasil e os Estados Unidos para continuar ganhando terreno em relação às concorrentes.

Atualmente, como reiterado por Dong algumas vezes durante a entrevista, a marca busca passar uma imagem descolada e por dentro das tendências, conversando sempre com um público jovem. Este ano, a realme também deve entrar de cabeça no mercado de celulares premium, que tem amplo domínio da Apple.