China está ganhando guerra comercial e as exportações nunca foram tão altas

A segunda maior economia do mundo fechou 2020 com um superávit comercial de US$ 78 bilhões (cerca de R$ 412 bilhões) em dezembro

Laura He, da CNN Business, em Hong Komg
15 de janeiro de 2021 às 05:00
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente da China, Xi Jinping
Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente da China, Xi Jinping
Foto: Kevin Lamarque/Reuters

A China já estava superando todas as outras grandes economias mundiais no ano passado, enquanto a pandemia de coronavírus afetava o planeta. Para completar, parece que também a situação relativamente segura do país também ofereceu uma vantagem na guerra comercial com os Estados Unidos.

A segunda maior economia do mundo fechou 2020 com um superávit comercial de US$ 78 bilhões (cerca de R$ 412 bilhões) em dezembro, de acordo com dados oficiais da aduana divulgados na quinta-feira (7). O superávit geral da China no ano atingiu o recorde de US$ 535 bilhões (cerca de R$ 2,8 trilhões), um aumento de 27% em relação a 2019.

As exportações, por sua vez, atingiram seu nível mais alto. "Em meio a todos os ruídos sobre dissociação econômica e desglobalização, e de forma um tanto inesperada, a pandemia aprofundou os laços entre a China e o resto do mundo", escreveu Larry Hu, economista-chefe para a China da Macquarie Capital, em um relatório de pesquisa.

Louis Kuijs, chefe de economia asiática da Oxford Economics, atribuiu os ganhos da China em grande parte à sua gestão da pandemia, que eclodiu na cidade chinesa de Wuhan há pouco mais de um ano. Ele acrescentou que a China se beneficiou de uma grande demanda por equipamentos de proteção e eletrônicos, já que as pessoas ao redor do mundo estavam trabalhando em casa.

 

"Depois de se recuperar de sua própria crise de Covid-19, a China estava de volta aos negócios quando a pandemia gerou uma enorme demanda nos EUA (e em outros países) por produtos relacionados à Covid-19", disse Kuijs.

A relação comercial da China com os Estados Unidos, entretanto, ficou ainda mais desequilibrada: o superávit comercial de Pequim com Washington subiu para US$ 317 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão) em 2020, um aumento de 7% em relação ao ano anterior e o segundo maior valor já registrado, de acordo com Iris Pang, economista-chefe para a Grande China da ING, agência de análises econômicas e financeiras.

A quantia ficou apenas US$ 7 bilhões (R$ 37 bilhões) abaixo dos níveis de 2018, quando Trump lançou uma guerra comercial violenta para corrigir o que chamou de uma relação desigual com a segunda maior economia do mundo.

"A julgar pelo aumento das importações chinesas pelos EUA em 2020, parece justo dizer que a guerra comercial de Trump com a China fracassou", disse Kuijs.

As boas notícias chegam dias antes da China anunciar os números do PIB referentes ao fim de 2020 – outro resultado provavelmente positivo. Os analistas esperam que o crescimento econômico da China tenha se recuperado ainda mais durante os últimos três meses do ano. Analistas ouvidos pela Reuters esperam que o PIB chinês tenha crescido 2,1% em todo o ano de 2020.

"Como a China desempenha um papel essencial em muitas cadeias de suprimentos e continua sendo um lugar muito competitivo para se produzir, falar sobre 'se dissociar' dela é fácil, difícil é fazer", afirmou Kuijs.

No entanto, o futuro da China tem seus desafios. Analistas destacam que o presidente eleito Joe Biden provavelmente não aliviará parte da pressão sobre o país depois que assumir o cargo na próxima semana. "O governo Biden adotará uma abordagem diferente, menos combativa e mais firme em relação à China", disse Kuijs. "Mas não é politicamente possível para Biden revogar as tarifas sobre produtos chineses tão cedo".

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)