Alphabet fecha unidade que usava balões como alternativa para torres de celular

A controladora do Google concluiu que o negócio não é comercialmente viável

Paresh Dave, da Reuters
22 de janeiro de 2021 às 12:09
Projeto Loon, da Alphabet, visto em conferência da companhia em Mountain View, Califórnia EUA 19/05/2016.
Foto: REUTERS/Stephen Lam/Foto de arquivo

A Alphabet está fechando o Loon depois de concluir que o negócio, que oferece balões como alternativa às torres de celular, não é comercialmente viável, disse a controladora do Google na quinta-feira (21).

Fundado em 2011, o Loon tinha como objetivo levar conectividade a áreas do mundo onde construir torres de celular é muito caro ou perigoso usando balões do tamanho de quadras de tênis e equipamentos de rede movidos a energia solar.

Mas as operadoras sem fio que o Loon via como potenciais clientes questionaram a viabilidade técnica e política da ideia.

"Embora tenhamos encontrado vários parceiros dispostos ao longo do caminho, não encontramos uma maneira de reduzir os custos o suficiente para construir um negócio sustentável de longo prazo", disse o presidente-executivo do Loon, Alastair Westgarth, em publicação no blog da empresa.

 Rich DeVaul, fundador do projeto que não está mais com a Alphabet, disse que a crescente demanda por conectividade móvel tornou as torres econômicas em mais partes do mundo do que ele havia estimado há uma década, diminuindo a necessidade do Loon.

"O problema foi resolvido mais rápido do que pensávamos", disse ele em entrevista.

Westgarth disse que o legado do Loon incluiria o desenvolvimento de balões de hélio que duram centenas de dias no céu e equipamentos de comunicação que podem fornecer cobertura celular a uma área 200 vezes maior do que a alcançada por uma torre de celular média.

No entanto, uma operadora precisaria de vários balões de uma vez, cada um custaria dezenas de milhares de dólares, com duração de apenas cerca de cinco meses.

O Loon lançou um projeto piloto no Quênia em 2020, após anos de atraso causados por problemas regulatórios.

A Telkom Kenya, disse que seu serviço conjunto com o Loon vai durar até 1º de março.

A tecnologia já se provou bem-sucedida em projetos curtos para fornecer cobertura de celular no Peru e em Porto Rico, quando as torres de celular foram derrubadas por desastres naturais.

A empresa empregava 200 pessoas em 2019. Naquele ano, obteve um investimento de US$ 125 milhões do HAPSMobile do SoftBank.

HAPSMobile se recusou a comentar sobre o efeito financeiro do fechamento do Loon, mas disse que "continuará a trabalhar em direção ao nosso objetivo de desenvolver um negócio comercial".