Cancelamento do Carnaval derruba ocupação em hotéis para apenas 41% no Rio

Hospedagens no período de 12 a 16 de fevereiro registrou queda no estado; no ano passado, taxa foi de 78% na mesma prévia

Camille Couto e Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro
09 de fevereiro de 2021 às 09:05 | Atualizado 25 de fevereiro de 2021 às 17:12

 

O cancelamento do Carnaval no Rio de Janeiro devido ao alto risco de transmissão da Covid-19 desestimulou o turismo. Um dos setores que mais sofre o impacto econômico da decisão é a rede hoteleira. Até o momento, a média de ocupação das hospedagens na capital está em 41%, sendo o período pesquisado de 12 a 16 de fevereiro. No ano passado, a hotelaria carioca já registrava cerca de 78% na mesma prévia, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih).

Acostumada a receber grande público, a arquibancada da Marquês de Sapucaí ficará vazia pela primeira vez em 37 anos. A movimentação no sambódromo em cinco dias de evento chega a 5 milhões de pessoas, entre público, esquipes de manutenção e das escolas de samba. Além disso, há os visitantes que vem para os blocos e outras comemorações. Em 2020, 2.1 milhões de turistas vieram para a folia no Rio de Janeiro, deixando R$ 4 bilhões na cidade. O cenário pandêmico, no entanto, é diferente.

O cancelamento das comemorações também fez muita gente perder o trabalho. De acordo com estudo de impacto econômico do Desfile Oficial das Escolas de Samba do Carnaval do Rio, realizado pela Fundação Getúlio Vargas com base no Carnaval 2019, são gerados 36 mil empregos diretos e indiretos apenas nos cinco que compõe a realização dos desfiles no Sambódromo. Se for considerado todo o período de preparação para o evento, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa estima que esse número chegaria a aproximadamente 65 mil empregos.

Na última apresentação do Boletim Epidemiológico, o prefeito Eduardo Paes pediu a colaboração da população no enfrentamento ao coronavírus, principalmente durante o período tradicional em que o evento ocorre. "Vamos fiscalizar. Nós estamos monitorando as redes sociais nesses sites conhecidos de venda de ingressos de festas, não vamos permitir que aconteçam.  Nós fazemos mais uma vez o apelo.  É um esforço, todos estamos tristes de não poder pular o carnaval, falo isso com dor no coração, mas nós temos que manter esse cuidado" – disse o prefeito.

A prefeitura informou que o planejamento das ações de fiscalização já está ocorrendo, mas serão reforças no feriado. Os bloqueios de ruas e toda a contingência para evitar aglomerações em vias públicas, serão divulgas ainda esta semana.