Setor de turismo espera reverter perdas do Carnaval cancelado até o fim do ano

Festa responde por 30% de todo o faturamento do turismo em fevereiro, diz Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

Isabelle Resende da CNN, no Rio de Janeiro
12 de fevereiro de 2021 às 17:19 | Atualizado 25 de fevereiro de 2021 às 17:40
Aglomeração em bloco de Carnaval no Rio de Janeiro. Imagem de arquivo de 28 de f
Aglomeração em bloco de Carnaval no Rio de Janeiro. Imagem de arquivo de 28 de fevereiro de 2020
Foto: Saulo Angelo/Thenews2/Estadão Conteúdo

 

Os setores de transportes, hospedagem e alimentação serão os mais afetados com o cancelamento do carnaval no Brasil este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus. As companhias aéreas e o transporte rodoviário devem sentir o impacto da não realização da folia e da suspensão do feriado em algumas regiões do País, especialmente no nordeste e sudeste. 

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o Carnaval é responsável, tradicionalmente, por 30% de todo o faturamento do turismo em fevereiro. O economista da CNC, Fábio Bentes, explica que esse ano, o prejuízo acaba sendo ainda maior porque o setor já vem perdendo receita desde o início do ano passado.  

A CNC calcula que o segmento já perdeu R$ 261,3 bilhões, entre março e dezembro do ano passado — o equivalente a mais de quatro meses de faturamento. Bentes lembrou ainda que o setor de turismo perdeu cerca de 400 mil vagas formais de trabalho em 2020, em decorrência da crise sanitária.

 

No ano passado, a data movimentou aproximadamente R$ 8 bilhões e gerou cerca de 25 mil empregos. Excepcionalmente neste ano, a CNC não fez projeções concretas sobre o carnaval, sobretudo por conta das diferentes decisões de estados e municípios em relação ao feriado.

Por conta da pandemia da Covid-19 e das medidas de distanciamento social, a cidade do Rio de Janeiro deve perder R$ 4 bilhões sem o tradicional Carnaval, com desfiles de escolas de samba e blocos de rua. A estimativa é do Rio Convention & Visitors Bureau, com base na arrecadação de anos anteriores.  A entidade aposta na retomada gradual das atividades turísticas ainda esse ano.

Uma das apostas é no turismo religioso, com as comemorações em torno do aniversário do Cristo Redentor que completa 90 anos em outubro. Além disso, os eventos esportivos, como o Campeonato Sul Americano de Remo, no mês que vem e de congressos científicos, que reúnem principalmente pessoas da área de saúde.

Ao todo, 125 eventos devem atrair para a cidade uma média de 614 mil turistas este ano. A diretora -executiva do RCVB, Roberta Werner, está confiante que com a divulgação e retomada de alguns eventos ainda esse, seja gerado uma receita de  mais de R$ 2 bilhões.