Cinco conselheiros da Petrobras rejeitam indicação do governo e deixarão cargos

Saídas ocorrem após Bolsonaro indicar um novo presidente-executivo por descontentamento sobre a política de preços da estatal

Luciano Costa e Marta Nogueira, da Reuters
03 de março de 2021 às 20:00 | Atualizado 04 de março de 2021 às 12:34

Mais um conselheiro da Petrobras decidiu rejeitar indicação do governo federal para ser reconduzido ao cargo, somando um total de pelo menos cinco membros do colegiado que pediram para ser substituídos, informou a estatal nesta quarta-feira.

O conselheiro Leonardo Pietro Antonelli, eleito por acionistas minoritários, somou-se aos conselheiros indicados pelo acionista controlador (o governo) João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha, que manifestaram intenção de deixar o colegiado após o presidente Jair Bolsonaro indicar um novo presidente-executivo por descontentamento sobre a política de preços da estatal.

 

"A não recondução do conselheiro não impede que ele seja eventualmente indicado e eleito novamente pelos acionistas minoritários, caso haja solicitação de voto múltiplo e ele receba votos para tanto", explicou a empresa, em comunicado.

Antonelli havia sido eleito em assembleia em julho de 2020 por meio do processo de voto múltiplo, após ter sido indicado por acionistas minoritários.

Uma assembleia geral extraordinária, ainda sem data marcada, deverá confirmar os novos conselheiros.

Petrobras
Foto: Mario Tama / Equipe / Getty Images

A decisão dos membros do conselho ocorre após o presidente Jair Bolsonaro ter indicado em 19 de fevereiro um novo presidente para a Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, que deve assumir o posto após o final do mandato do atual CEO, Roberto Castello Branco.

Na mesma data, a União havia proposto em ofício do Ministério de Minas e Energia a recondução de todos os conselheiros, para cumprimento do restante dos respectivos mandatos.

A indicação de Luna veio após reclamações de Bolsonaro sobre a política de preços da Petrobras, em meio a reajustes nos valores dos combustíveis.

O conselheiro Cunha disse, em mensagem dirigida ao presidente do conselho, que decidiu sair após o governo anunciar a mudança no comando da estatal.

"Em virtude dos recentes acontecimentos relacionados às alterações na alta administração da Petrobras, e os posicionamentos externados pelo representante maior do acionista controlador da mesma, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como conselheiro desta renomada empresa, na qual tive o privilégio de servir nos últimos sete meses", afirmou ele, conforme divulgado pela Petrobras.

"A mudança proposta pelo acionista majoritário, embora amparada nos preceitos societários, não se coaduna com as melhores práticas de gestão, nas quais procuro guiar minha trajetória empresarial", acrescentou ele.

Souza e Silva disse que eu mandato foi "interrompido inesperadamente" e registrou "respeito e reconhecimento pelo excelente trabalho desenvolvido pela diretoria executiva e pelos funcionários", segundo a Petrobras.

Já Neto e Ziviani informaram apenas que não aceitaram a recondução proposta pelo governo "por razões pessoais", disse a companhia no comunicado.

A Petrobras acrescentou ainda que eventuais substitutos indicados pelo governo para as cadeiras no conselho "serão submetidos ao processo de análise de gestão e integridade da companhia e objeto de análise pelo Comitê de Pessoas".

O atual colegiado de conselheiros da Petrobras é composto por 11 membros, sendo sete indicados pelo acionista controlador --incluindo Castello Branco, que também deixará o conselho. Três são representantes dos minoritários e um representa os funcionários, de acordo com informações do site da empresa.

 

(Por Luciano Costa; reportagem adicional de Marta Nogueira)