Bolsa cai 0,3% após baixa de 3,65% no pregão; dólar cai com fala de Lira

Na economia, apesar do avanço de 3,2% no quarto trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado do ano sofreu uma retração de 4,1%

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
03 de março de 2021 às 09:15 | Atualizado 03 de março de 2021 às 19:03
O presidente da Câmara, Arthur Lira (19.fev.2021)
O presidente da Câmara, Arthur Lira (19.fev.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Em um pregão extremamente volátil, o Ibovespa acumulou queda de 0,32%, para 111.183 pontos, nesta quarta-feira (3). Pouco antes do fim do pregão, às 16h10, o índice recuava 3,65% e chegou a subir 0,4% às 16h50. 

O mercado de câmbio sofreu uma reviravolta, com o dólar fechando em ligeira queda de 0,07%, a R$ 5,662, depois de operar em alta ao longo de toda a sessão e superar R$ 5,77.

A virada aconteceu depois de uma fala do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, no Twitter. Ele disse que "são infundadas todas as especulações sobre furar o teto (de gastos)" e que o Congresso vai votar PECs "sem nenhum risco" à medida. 

O mercado também analisa o início da votação da PEC Emergencial no Senado. A ideia é que a medida permita ajustes fiscais e abra espaço para uma nova versão do auxílio emergencial.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram entre 4,8% e 4,3%, ainda afetadas por incertezas envolvendo a petrolífera, particularmente a autonomia para os preços de combustíveis. Quatro membros de seu conselho de administração rejeitaram indicação para recondução aos cargos. O Santander cortou a recomendação dos papéis para 'manter', bem como reduziu o preço-alvo de PETR3 para R$ 20.

Na economia, apesar do avanço de 3,2% no quarto trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado do ano sofreu uma retração de 4,1%. No acumulado até o terceiro trimestre, a queda era de 3,4%.

O mercado também lida com a notícia de que o governo de São Paulo colocará o estado na chamada "fase vermelha", a mais restritiva do plano de quarentena contra Covid-19, a partir de sábado.

A agenda de balanços no Brasil traz nesta quarta-feira, após o fechamento, os números de Magazine Luiza (MGLU3), Hering (HGTX3) e Taesa (TAEE3).

A B3 também divulgou novos horários de negociação a partir de 15 de março, em razão do começo do horário de verão nos Estados Unidos. No mercado à vista de ações, o fechamento será adiantado em 1 hora, para 17h.

Lá fora

O índice Nasdaq encerrou em forte queda nesta quarta-feira, depois que investidores venderam ações de tecnologia e voltaram-se para setores considerados mais propensos a se beneficiarem de uma recuperação econômica com o estímulo fiscal e programas de vacinação.

O Dow Jones recuou 0,39%, aos 31.270 pontos, o S&P 500 desvalorizou-se 1,3%, aos 3.819 pontos, e o Nasdaq recuou 2,7%, aos 12.997 pontos.

As ações da Microsoft, Apple e Amazon caíram e foram as que mais pesaram no índice S&P 500.

Os mercados acionários europeus encerraram estáveis nesta quarta-feira. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou praticamente inalterado e o FTSEurofirst 300 subiu 0,07%. 

As ações do segmento de automóveis e viagens, dirigidas ao consumidor, tiveram o melhor desempenho durante a sessão, enquanto as ações do Reino Unido subiram depois que o Ministro das Finanças, Rishi Sunak, ampliou os programas de emergência para apoiar a economia em decorrência da Covid-19. O índice Financial Times, de Londres, avançou 0,93%

As bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada nesta quarta-feira (3), após os rendimentos dos Treasuries recuarem ontem, aliviando preocupações sobre possíveis altas de juros, e apesar do desempenho negativo de Wall Street.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,51% em Tóquio hoje, a 29.559,10 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 2,70% em Hong Kong, a 29.880,42 pontos, o sul-coreano Kospi se valorizou 1,29% em Seul, a 3.082,99 pontos, e o Taiex registrou ganho de 1,66% em Taiwan, a 16.211,73 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 1,95%, a 3.576,90 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,30%, a 2.363,11 pontos, com destaque para ações dos setores siderúrgico e bancário.

O bom humor na Ásia veio após os retornos dos Treasuries de mais longo prazo caírem na sessão de ontem, depois de tocarem os maiores níveis em cerca de um ano nas últimas semanas, gerando temores sobre aceleração da inflação e potenciais aumentos de juros.

No entanto, sinais de que a economia global poderá se recuperar da pandemia de Covid-19 em ritmo mais rápido do que se esperava, diante do avanço da vacinação contra a doença, ainda sustentam preocupações de que bancos centrais sejam forçados a elevar juros mais adiante.

O apetite por risco nos mercados asiáticos prevaleceu apesar da queda das bolsas de Nova York ontem e de dados fracos de atividade da China.

Pesquisa da IHS Markit e da Caixin mostrou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços chinês recuou de 52 em janeiro para 51,5 em fevereiro, enquanto o composto - que também engloba indústria - diminuiu de 52,2 para 51,7 no mesmo período.

Embora permaneçam acima da marca de 50 que indicam expansão da atividade, ambos os PMIs chineses estão em seus menores níveis em dez meses.

Na Oceania, a bolsa australiana também foi impulsionada por dados de crescimento econômico melhores do que o esperado. O S&P/ASX 200 avançou 0,82% em Sydney, a 6.818,00 pontos. No quarto trimestre de 2020, o PIB da Austrália teve expansão de 3,1% ante os três meses anteriores, bem maior do que o ganho de 2,3% previsto por analistas. 

(*Com Reuters e Estadão Conteúdo)